Nem as igrejas são poupadas por ladrões. Só ontem foram registrados dois furtos na Zona Leste de Londrina. A Paróquia Nossa Senhora do Rocio, localizada no bairro Cervejaria, foi invadida durante a madrugada e os produtos confeccionados pelas integrantes do Clube de Mães da Associação dos Pais e Amigos do Excepcionais (Apae) de Londrina, que seriam comercializados hoje em um bazar beneficente, foram roubados.
''Esperávamos arrecadar R$ 1 mil com a venda. Esse dinheiro serviria para comprarmos mais materiais e o restante iria para o projeto de ampliação da estrutura física da Apae. Agora, está tudo acabado. Nosso trabalho de meses foi embora'', lamentou Maria Francisca da Silva, coordenadora do Clube, que atualmente conta com a participação de 20 mães de alunos e uma voluntária.
Entre lágrimas, Chiquinha, como é chamada, mostrou o que sobrou dos tapetes, guardanapos e panos de prato. ''Estava tudo pronto para o bazar. Agora vamos ter que recomeçar'', disse.
O salão da paróquia estava sendo utilizado pelas mães desde o ano passado, já que a sala na Apae será reformada. Segundo Daniela Von Stein, diretora auxiliar da entidade filantrópica, o Clube foi formado há mais de 30 anos com o objetivo de integrar as mães de alunos, ensinando-as confeccionar artesanato para venda particular e em benefício da instituição. ''Contamos sempre com a ajuda da comunidade e de promoções como esse bazar que seria realizado'', comentou.
Atualmente, a Apae atende 338 pessoas, entre alunos e pacientes. Um deles é Davi, filho da dona de casa Valdilene Gama Silva. ''Entrei no Clube há cinco anos pensando na ajuda que eu poderia dar à entidade, pois depois que meu filho começou a frequentar a Apae, ele melhorou muito. Além disso, me faz muito bem trocar experiências com outras mães'', contou Valdilene, que ao olhar o material espalhado desabafou: ''É muito triste ver que todo nosso trabalho, feito com carinho e com o objetivo de arrecadar dinheiro, foi levado. Sabe se lá para quê''.
Outra mãe, Maria Olinda Pereira não segurou as lágrimas ao pensar na dedicação que teve com os produtos. ''Deixei de fazer minhas tarefas em casa para conseguir deixar as toalhas e guardanapos prontos para o bazar. Eu estava muito contente e esperançosa com a venda, mas não vou me entregar. Vamos recomeçar, pois para nós coragem é o que não falta'', disse.
A paróquia foi invadida pela janela do salão. De acordo com o funcionário Cleon Scheffer, a grade que fica ao lado da marquise foi escalada. ''A iluminação é pouca e à noite não se tem muita visibilidade'', conta Scheffer, afirmando que constantemente a igreja é alvo de ladrões. Na semana passada, a bolsa de uma mulher foi furtada durante um encontro de oração.
Sete vezes
O pastor Fridel Szublis da Igreja Nova Apostólica, localizada na rotatória da Avenida Dez de Dezembro (Parque Oriente), também afirmou que os arrombamentos são constantes. De acordo com ele, a igreja já foi invadida sete vezes. ''Só em dezembro do ano passado foram dois furtos. Acho que o fato de estarmos em uma avenida de grande fluxo e acesso livre facilita essas ocorrências'', disse.
O último caso aconteceu ontem pela manhã. Segundo o pastor, o alarme tocou por volta das 7 horas, mas não deu tempo de impedir que fosse levado o amplificador de som. ''A entrada foi na própria igreja e não no salão. O aparelho ficava no altar'', relatou. Nos dois casos ocorridos ontem, ninguém ficou ferido.
Assim como em demais entidades filantrópicas, as igrejas também são noticiadas com frequência por serem alvo de ladrões. No final de março, a FOLHA publicou sobre dois furtos ocorridos no mesmo mês, na Capela Santa Maria Gorette, na Vila Yara (Zona Leste). A igreja ficou sem os instrumentos musicais, pois foram levados o violão, teclado e um rádio. Ninguém se feriu.

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