Giovani Ferreira
De Curitiba
Diante da revolução religiosa que está acontecendo no Brasil, com o aparecimento de fenômenos como o padre Marcelo Rossi, da Igreja Católica, e o bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus, as congregações cristãs não estão em busca somente de fiéis, como também de novos candidatos à vida sacerdotal. A partir de ações desenvolvidas com o objetivo de despertar o espírito vocacional, principalmente dos jovens, as igrejas estão procurando ampliar os seus quadros de evangelizadores.
A Igreja Católica, por exemplo, reconhece ser pequeno o número de padres em atuação no Brasil. Hoje eles são em 15 mil, obedecendo uma proporção teórica de um padre para cada 10 mil habitantes. Essa relação até poderia ser ideal, se não houvesse uma distribuição desigual dos sacerdotes no País. O padre Carlos Alberto Chiquin, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Sul II, disse que existem regiões com carência de padres. A maior concentração, explica Chiquin, está na região Sul. Somente no Paraná são 1,2 mil padres.
Segundo Chiquin, desde a Conferência da CNBB em Itaici (SP), realizada em 1981, a igreja vem desenvolvendo um trabalho vocacional para conquistar novos sacerdotes. Os frutos desse trabalho, de acordo com Chiquin, começam a ser colhidos agora, com uma expectativa de aumento do número de padres na ordem de 50%. O representante da CNBB acredita que isso pode acontecer num prazo que pode variar de cinco a dez anos.
Conforme o padre Chiquin, o que está ocorrendo é uma superação da crise vocacional das décadas de 70 e 80, quando muitos seminários foram fechados no Brasil. Nessa época o número de novos sacerdotes parou de crescer, enquanto a população católica do Brasil sempre teve um aumento contínuo. A CNBB estima que a pupulação católica represente aproximadamente 80% dos 160 milhões de habitantes do País.
Além do crescimento da população não ser proporcional ao do número de padres, a igreja ainda destaca outros problemas que comprometem essa relação. O primeiro é que existem muitos padres doentes e idosos, que já não estão mais atuando de forma efetiva no trabalho sacerdotal. Por outro lado, um grande número de sacerdotes desempenha funções burocráticas, não somente dentro da Igreja, mas também em seminários e estruturas do gênero. Padre Chiquim calcula que hoje um efetivo de 30% do total de sacerdotes está nessa condição.
Na ala dos evangélicos as igrejas que mais vêm crescendo são a a Universal do Reino de Deus e a Assembléia de Deus, que já possuem ramificações em vários países. No caso da Universal, ela conseguiu fazer fortuna e arrebanhar milhões de fiés no Brasil.
O requinte dos templos erguidos pela Universal nas principais cidades brasileiras é uma mostra do poder dos evangélicos. Em Curitiba, por exemplo, uma obra imponente, construída na Avenida Sete de Setembro, marca a presença da igreja na capital paranaense de forma bastante agressiva, com um prédio praticamente impossível de passar desapercebido.
Um dos grandes meios de evangelização utilizados nos últimos anos vem sendo a televisão. De um lado a Rede Record, do Bispo Edir Macedo, dedica grande parte de sua programação diária à transmissão de cultos e depoimento de fiéis que teriam econtrarado na igreja a solução para seus problemas. Na Rede Vida e nas demais redes de televisão os padres católicos encontram cada vez mais espaço, aparecendo quase que diariamente em horários nobres, com apresentações e entrevistas em programas populares como Faustão, Xuxa, Ratinho, Gugu Liberato e tantos outros.Mudança no estilo da pregação religiosa atraiu fiéis, mas ainda não conseguiu despertar plenamente a vocação sacerdotal
José SuassunaPastoresO padre Carlos Alberto Chiquin, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirma que a maior concentração de padres está no sul do país

mockup