Igrejas arrecadam 200 armas
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de maio de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Mutirão Nacional de Entrega de Armas, que mobilizou cerca de 250 igrejas cristãs de capitais brasileiras (10 delas em Curitiba e Região Metropolitana), encerrou ontem com saldo positivo. Mais de 200 armas foram entregues voluntariamente. De acordo com o padre Carlos Chiquim, secretário executivo da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) do Paraná, a campanha demonstrou que muitas pessoas ainda querem devolver armas que ficaram guardadas dentro de casa e, que muitas vezes, são usadas em discussões familiares.
''As estatísticas demonstram que os acidentes com armas de fogo ocorrem normalmente dentro da casa das famílias. Ou por acidente doméstico, ou por imperícia, ou por descuido, ou mesmo em brigas familiares por conta da embriaguez. Queremos com isto colaborar para reduzir a criminalidade e a violência na Grande Curitiba'', pontuou ele. O resultado foi tão positivo, segundo Chiquim, que a CNBB está estudando plantões permanentes de arrecadação de armas para incentivar o desarmamento. Apenas ainda não se sabe se os plantões serão em igrejas e paróquias espalhadas pela Grande Curitiba ou se será criado apenas um ponto de entrega.
Durante o mutirão, anteontem, dois voluntários e dois policiais federais recolheram as armas. Foram feitos dois documentos em cada arma recebida. O primeiro era um auto de arrecadação e o segundo, um pedido de indenização. É que o governo federal se propôs a pagar entre R$ 100 e R$ 300 por arma recebida, dependendo do tipo e do calibre. ''O tempo estava chuvoso e a população mesmo assim colaborou. Acho que estamos conseguindo o nosso intuito de solidariedade e paz. Aliás, este é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano'', lembrou o padre.
Foram recebidas espingardas (usadas para caça de animais), revólveres, rifles (comprado para pescarias) e armas de colecionadores. O dinheiro de indenização dos fiéis que levaram suas armas para a campanha deverá ser depositado em conta corrente num prazo de até 60 dias.


