Igreja Universal é acusada de omissão
Dimitri do Valle
De Curitiba
O restaurador Rubens Belich, 56 anos, acusa a direção da Igreja Universal do Reino de Deus de responsabilidade na morte da filha, a telefonista Luciane Belich, 31 anos. Luciane teria sofrido convulsões durante um culto. Ao invés de ser levada para o pronto-socorro de um hospital, a telefonista ficou inconsciente por mais de uma hora no banheiro da igreja, batizada de Catedral da Fé, na avenida Sete de Setembro, no centro de Curitiba. Por que não chamaram uma ambulância? A omissão foi evidente, conclui Belich.
A direção da Universal deverá ser processada por negligência, segundo o restaurador. Ele está reunindo documentos para embasar a ação, que ainda não tem prazo para ser encaminhada à Justiça. Desde a morte de Luciane, Rubens Belich afirma que não recebeu qualquer explicação sobre o que aconteceu na noite de 20 de setembro. A morte dela é um mistério. Nunca consegui uma explicação dos pastores da Universal, diz. As poucas informações indicam que Luciane passou mal, vomitou muito e perdeu os sentidos.
A explicação dada por uma mulher que se identificou à família como enfermeira da Universal era de que Luciane sofreu um ataque epilético. Ela nunca teve uma crise epilética, garante Belich. Por volta das 22 horas de 20 de setembro, a mulher de Belich recebeu um telefonema de Maria Aparecida Bueno. Ela se identificou como enfermeira e informou o suposto caso de epilepsia. A família estranhou que a ligação só tenha sido feita cerca de 90 minutos depois do episódio. Belich soube mais tarde que Luciane passou mal por volta das 20h30.
O restaurador recorda que a filha foi conduzida ao Centro de Triagem Psiquiátrico, no bairro Alto da XV. Ela deveria ter sido levada para um pronto-socorro, acredita. Luciane foi colocada no porta-malas de um automóvel cedido por uma frequentadora. O corpo foi enrolado em sacos plásticos para que o vômito não sujasse o veículo. Só com a chegada do pai, ela foi transferida para o Hospital Cajuru, onde morreu dois dias depois por causa de insufiência respiratória. Tinha morte cerebral, não havia jeito de recuperação, acrescenta.
Luciane ingressou na Universal em setembro do ano passado. A telefonista tentava buscar ajuda espiritual para reatar um caso amoroso. Internada em clínicas psiquiátricas, ela não conseguiu curar-se da obsessão que criou por um antigo companheiro de trabalho, que a evitava. Durante os cultos, Rubens Belich revela que a filha era sempre requisitada em sessões de exorcismo. Aquilo não é missa, é um espetáculo circense, um showzinho, critica. Belich lembra que o relacionamento em casa ficou mais difícil depois que Luciane não era mais convocada para participar das sessões.Luciane Belich sofreu convulsões durante um culto no dia 20 de setembro. Ao invés de ser socorrida foi deixada num banheiro
José SuassunaSEM EXPLICAÇÃOO restaurador Rubens Belich não se conforma com a morte da filha. Ele está reunindo documentos para embasar uma ação que pretende mover contra a Igreja Universal do Reino de Deus. A omissão foi evidente, diz





