Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Igreja Universal do Reino de Deus está denunciando discriminação religiosa e cerceamento à liberdade de culto, entre outras irregularidades que teriam sido praticadas pelo delegado de Polícia Civil José Tadeu Bello, Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão). O caso virou procedimento administrativo aberto pela Subdivisão Policial de Francisco Beltrão, aos cuidados do delegado Valmir Sóssio.
As denúncias também repercutiram na Assembléia Legislativa. O deputado Edson Praczyck (PL), que é pastor da Igreja Universal liderada pelo bispo Edir Macedo, procurou o secretário de Segurança Pública Cândido Manoel Martins de Oliveira. Anteontem, o delegado José Tadeu Bello foi chamado a Curitiba para explicar o caso à chefia da Polícia Civil.
Segundo a versão da Universal, a discriminação e o cerceamento ao culto teriam ocorrido no final de março. O pastor Denis da Silva Santos foi à Delegacia de Dois Vizinhos para realizar cultos para 23 presos, e teria sido impedido pelo delegado. O pastor teria sido preso e ofendido verbalmente. Santos atualmente está atuando em Barracão (90 km a oeste de Francisco Beltrão).
José Tadeu Bello disse ontem à Folha que o pastor esteve na delegacia num sábado, no horário de visitas, e tentou fazer culto. ‘‘Argumentei que isto só seria possível após o horário de visita ou durante a semana, porque há necessidade de manter um mínimo de organização na cadeia’’, afirmou.
O pastor teria dito que faria uma visita pessoal a um preso e, por isso, teve acesso à cadeia. Ele iniciou o culto e criou o incidente. O delegado pediu que se identificasse, mas Denis não tinha nenhum documento que o apresentasse como pastor da Universal, por isso teria ficado retido por poucas horas em uma sala — ‘‘e não em cela’’ — até seu superior, o pastor Fábio de Araújo, chegar na Delegacia.
Bello sustenta que os fatos foram ‘‘devidamente explicados na ocasião’’. ‘‘Apenas fiz o que é de mim exigido como responsável pela Delegacia’’.

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