Arquivo FolhaPastor Oliveira: ‘‘Resgatar valores que passaram por uma mutação’’A Igreja Universal do Reino de Deus não trata a prostituição como um caso especial de desvio de conduta religiosa. ‘‘Tratamos o problema como parte de um todo, como as drogas e o homossexualismo’’, diz o porta-voz da igreja, pastor Oliveira. Para esses evangélicos, tais desvios são trabalhados por grupos de obreiros, que percorrem as ruas para ‘‘resgatar nas pessoas os valores que passaram por uma mutação’’.
Esses grupos também trabalham em hospitais e penitenciárias, com o objetivo de se aproximar das pessoas e ‘‘preencher o vazio criado pela ausência de Deus’’. Nesses contatos, os obreiros indicam a igreja, mas não fiscalizam se as pessoas vão ou não até lá, o que dificulta a formação de uma estatística sobre o sucesso do trabalho.
Vera Lúcia, 32 anos, está casada há um mês e se considera uma nova pessoa desde que conheceu Jesus. Vera se prostituía depois do trabalho. ‘‘Fazia porque gostava, uma vez que trabalhava como bordadeira industrial, onde ganhava cerca R$ 900,00 ao mês’’. A vida de Vera na noite começou quando ela tinha 15 anos e continuou até os 26, quando uma senhora a convidou para ir à Igreja.
Vera converteu-se depois do primeiro culto. Abandonou o bom emprego no interior e veio para Curitiba trabalhar no templo, onde junto com 80 pessoas realiza todo domingo trabalhos de evangelização nas ruas.
Kely, de 20 anos, tem uma história de vida oposta à de Vera Lúcia. Às 4 horas da madrugada, em uma mesa da Boate Metrô, no Centro, ela conta que participava de cultos evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus, mas se afastou da religiosidade quando começou a trabalhar como prostituta. De aparência frágil, cabelos claros e tipo mignon, seu visual sugere uma idade inferior à que diz ter.
Kely encara de frente o problema e diz não gostar de contar que sentia uma sensação muito ruim quando começavam os cultos. ‘‘Não tem nada a ver ouvir o pastor e sair do templo para fazer tudo ao contrário’’, justifica baixando o olhar. Keli costuma cobrar R$ 50,00 por programa e diz não saber se um dia voltará a participar das reuniões evangélicas. ‘‘Procuro não pensar nisso, religião e a minha vida não combinam atualmente’’, diz, levantando-se da mesa e pedindo desculpas por não poder perder mais tempo com a entrevista durante o horário de trabalho.

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