Curitiba - Preocupada com a forma com que os casamentos vêm sendo realizados na igreja, em geral com maior destaque para a cerimônia social do que para a religiosa, a Arquidiocese de Curitiba está estudando uma forma de garantir com que os casais voltem a valorizar mais os ritos religiosos durante os enlaces. Padre Gilson Cezar de Camargo, responsável por este ''campanha'' na Arquidiocese de Curitiba, garante que não se trata de implantar mudanças nas regras atuais. A intenção da Igreja, segundo ele, é buscar, junto aos noivos e organizadores dos casamentos, um consenso sobre o que deve prevalecer na cerimônia de casamento.
''Queremos que os noivos voltem a observar algumas coisas que fazem parte do rito na igreja, mas que estão esquecidas por alterações que vêm sendo feitas'', diz. O problema, de acordo com ele, é que muitos casamentos, hoje, estão mais focalizados na parte cerimonial e social do que no lado espiritual. ''Queremos que os noivos possam sentir que estão participando de um ato sagrado'', afirma.
Como exemplo dessa interferência no ritual religioso, ele cita o caso de casamentos que contam com grande número de padrinhos e damas de honra. ''Em geral a igreja reserva 30 minutos para o rito. Às vezes há um grande número de padrinhos, damas, que param para fazer fotos, tem a música, a noiva que atrasa. Todo esse cerimonial social, que é secundário, leva de 25 a 30 minutos. Daí a igreja só tem cinco a oito minutos para o rito propriamente dito. Quando vê, o tempo foi gasto em coisas secundárias e dispensáveis, e o lado importante, que é a celebração do casamento, não tem horário'', reclama.
Na paróquia São Vicente de Paulo, na qual ele trabalha, e que fica no centro de Curitiba, padre Gilson diz que não acontecem muitos exageros, uma vez que além de ter que participar do curso de noivos, o casal sempre é chamado para uma reunião prévia. ''Chamo os noivos para conversar, explicar, para evitar aborrecimentos de última hora. Mesmo asim, às vezes acontece alguma coisa'', diz. Ele lembra o caso de uma noiva que chegou falando que não gostava de roupa branca. ''Fiquei preocupado, pensando como ela viria. Não é obrigado a usar branco, mas não pode ser uma cor agressiva, não adequada à espiritualidade do momento'', afirma.
Outro problema, segundo ele, é o exagero nas músicas. Uma vez, um casal desavisado usou como fundo, a música francesa ''Comme d'habitude'', que que quer dizer ''Como de rotina''. Apesar da melodia bonita, a letra fala da rotina na vida de um casal, ou seja, tudo o que recém-casados certamente não querem para seu casamento. ''O rito do casamento é extremamente bonito, mas às vezes é ofuscado por coisas estranhas'', diz, lembrando o caso de um casamento às vésperas do carnaval, onde noivos e convidados foram vestidos com fantasias.
Outra reclamação da igreja refere-se ao desejo de muitos casais de realizarem o casamento fora da igreja. ''Hoje estão quase obrigando o sacerdote a fazer o rito religioso no buffet onde será a recepção. Acontece que tratam-se de coisas sagradas que só podem ser feitas no lugar sagrado, que é dentro do templo'', diz, avisando que, dentro da Igreja Católica, os padres só podem realizar a cerimônia dentro da igreja, Jamais em buffets, hotéis ou no campo, como querem as noivas. Nesses casos, só é possível realizar a cerimônia civil.
Padre Gilson acredita que esse ''retorno'' do rito religioso é um trabalho lento. Para isso, a Arquidiocese espera obter o apoio dos profissionais que trabalham com casamentos, entre pessoas que atuam no cerimonial, floriculturas, fotógrafos e cinegrafistas, para que eles também ajudem a alertar os noivos sobre o que é importante em uma cerimônia de casamento. ''A idéia é mudar o tom, o enfoque. Não queremos acabar com o sonho, mas o sonho também não pode fugir à realidade. Ele tem que ser real, não como um conto de fadas'', afirma.

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