Igreja quer combater corrupção
Guilherme Vieira
Marcelo AlmeidaPadre Chiquim: diminuir impunidade de políticos que distribuem favores
A Igreja Católica está colhendo 1 milhão de assinaturas contra a corrupção eleitoral no Brasil. O objetivo desse trabalho é a apresentação em 1999 de um projeto de lei de iniciativa popular no Congresso Nacional, que pretende dar mais poder à Justiça Eleitoral. Segundo o sub-secretário da Regional Sul II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Carlos Chiquim, o projeto pretende diminuir a impunidade de quem distribui favores, bens e dinheiro aos eleitores.
Segundo Chiquim, a legislação favorece esse procedimento ilegal porque a apuração dos casos é muito lenta. A proposta da Igreja é modificar esse panorama através da transformação da compra de votos e do uso da máquina administrativa de crimes eleitorais em infrações. ‘‘Deixando de ser crime os infratores vão ser julgados durante as eleições pela Justiça Eleitoral e não mais nos prazos da Justiça comum, que muitas vezes ultrapassava o período do mandato eleitoral do infrator que consegue ser vitorioso nas urnas.
Chiquim informou que para que as denúncias surjam com mais facilidade, vai estar incluída no projeto a diminuição ou isenção de penalização para os eleitores que forem corrompidos. ‘‘Muitos até se arrependem de colaborar para eleger esses maus políticos mas não denunciam com medo das penas a que estariam sujeitos’’, disse.
Exemplo - O Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Curitiba, D. Pedro Fedalto, disse que vai determinar que os padres responsáveis pelas paróquias do Estado evitem receber presentes de candidatos durante as eleições. Essa orientação vai ser feita para evitar que os fiéis pensem que devem algum favor ao candidato por causa da doação. A proximidade dos padres com os candidatos também vai ser alvo de atenção da chefia da Igreja Católica: ‘‘O padre pode até ter as suas preferências eleitorais, mas deve procurar ser discreto, para que os fiéis não sejam influenciados’’.
Em Curitiba a coleta de assinaturas já começou nas paróquias, mas o lançamento oficial acontece no dia 5 de junho com a presença da cúpula da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBPJ), entidade responsável pelo projeto.

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