Igreja proíbe uso da catedral como símbolo
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quarta-feira, 04 de julho de 2001
Marta MedeirosDe Maringá 
O arcebispo de Maringá, Dom Murilo Krieger, disse ontem que não vai mais permitir que a prefeitura utilize a imagem da catedral como atração turística da cidade. A atitude é uma resposta ao pedido de devolução feito pela administração municipal do dinheiro usado no pagamento das contas de energia elétrica da catedral nos últimos cinco anos. O caso foi parar no Ministério Público, que investiga a subvenção, vedada pela Constituição Federal, do poder público a templos religiosos.
Principal cartão-postal de Maringá, a catedral atrai cerca de um milhão de visitantes por ano. Construída em forma de cone com 124 metros de altura, a igreja é considerada o monumento mais alto da América Latina e está na lista dos 10 primeiros do mundo. Para Dom Murilo, é inconcebível o fato de a prefeitura querer classificar, a partir de agora, a catedral como um templo qualquer. Essa igreja é o rosto da cidade, ressaltou o arcebispo.
No fim do mês passado, técnicos da prefeitura constataram que o município pagou nos últimos cinco anos cerca de R$ 154 mil - ou R$ 170 mil em valores atualizados - pelas contas de água e de luz do consumo interno da catedral. Para tentar resolver a questão, a prefeitura informou a Mitra Arquidiocesa, pediu a separação dos relógios de água e luz e a devolução do dinheiro.
Segundo Dom Murilo, os valores não estão certos porque a cobrança inclui o período de janeiro a junho de 1996, quando deveria contar somente a partir de julho daquele ano. A questão corresponde aos últimos cinco anos, então a conta deve ser feita a partir de julho, sendo que só este fato diminui a cobrança em R$ 15 mil, argumentou o arcebispo. Ele contesta os juros e a mora cobrados pela prefeitura. Dos R$ 154 mil, é necessário reduzir os R$ 15 mil, disse Dom Murilo.
O arcebispo afirmou que agora vai recorrer à Justiça para obter os valores exatos da cobrança. Além disso, também ameaçou cobrar pelo uso da imagem da catedral pela prefeitura nos últimos cinco anos. Na relação de contas, Dom Murilo pretende incluir os R$ 70 mil gastos no ano retrasado para reparação de danos na catedral provocados por instalações de enfeites de Natal. Com certeza, no final das contas, vai acabar sobrando dinheiro para a igreja, afirmou o arcebispo.
Conforme o arcebispo, só para retirar a estrela de cima do topo da catedral, colocada por causa de uma promoção do Natal de 1999 realizada pela prefeitura e entidades ligadas ao comércio de Maringá, a igreja vai gastar R$ 5,3 mil. Em todas essas coisas a comunidade da nossa igreja nunca pediu ou precisou de nada disso, destacou o arcebispo. Dom Murilo ressaltou ainda que a Mitra nunca se incomodou pelo incessante uso da imagem da catedral. No site da prefeitura, no carnê do IPTU e em todos os lugares o que se vê é a imagem da catedral como símbolo de Maringá, salientou. Qualquer país de Primeiro Mundo saberia o benefício turístico desse templo, mas o nosso tem mentalidade mesquinha, criticou o arcebispo. Para Dom Murilo, toda a polêmica formada pela prefeitura só pode ser sinônimo de burrice ou de má-fé.


