Arapongas - Uma igreja que se tornou referência da imigração japonesa no Norte do Paraná está seriamente ameaçada por falta de conservação. É a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, que se localiza na Colônia Esperança, em Arapongas. Além do templo, em estilo barroco colonial, a igreja tem um rico patrimônio de arte sacra formado por mais de 30 vitrais e obras do artista plástico modernista Antonio Paim Vieira, que pintou as imagens no altar e a Via Sacra em afresco de cerâmica.
Este patrimônio se tornou ainda mais valioso depois que a paróquia recebeu a informação de que o artista participou da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. No final do ano passado, uma filha do artista veio à igreja para reconhecer a obra.
Hoje, parte do telhado está danificada, o que causa infiltrações na estrutura do prédio e vazamento de água no interior. Os vitrais nunca passaram por restauração, desde que foram colocados no começo da década de 1950. Alguns deles foram parcialmente destruídos por vândalos. A arte em cerâmica permanece em bom estado de conservação, mas também corre o risco de ser afetada pelas infiltrações.
O responsável pela comunidade na Colônia Esperança é o padre Lino Batista de Oliveira, que atende regularmente outra paróquia em Arapongas. Ele reconhece que a paróquia da colônia precisa ser restaurada com urgência, mas aponta algumas dicifuldades que fogem do âmbito religioso. A primeira é a falta de recursos. Fazer qualquer reforma no local apenas com o dízimo seria quase impossível porque a comunidade, que já foi muito numerosa, chegando a duas mil famílias, hoje conta com pouco mais de uma dezena de famílias.
A segunda dificuldade é a falta de um projeto para definir quais as obras necessárias. Padre Lino diz que a paróquia não tem a quem recorrer para fazer este tipo de trabalho. ''É uma situação preocupante porque nós não temos nem noção de custo; ainda não tivemos como contratar uma equipe especializada para elaborar este projeto'', diz o padre, que pensa em buscar apoio de entidades no Japão, na Alemanha, junto ao governo brasileiro e em universidades da região. O assunto está sendo discutido por uma comissão que representa os moradores da comunidade.
Sem muita alternativa, padre Lino pede que haja uma mobilização da sociedade para ajudar na restauração da igreja. ''Este é um patrimônio que está sob risco; o nosso objetivo é chamar a atenção da opinião pública e de quem queira compartilhar conosco uma possível ajuda para que este patrimônio histórico, religioso e cultural não seja deteriorado porque esta é uma das únicas paróquias da região que tem este acervo'', afirma.
Padre Lino sonha também em transformar a Colônia Esperança em um local turístico. Ele pensa, inclusive, em reproduzir uma réplica da primeira igreja construída em madeira no local no ano de 1937.

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