Igreja paga matrícula de surdos-mudos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de janeiro de 1999
Áureo Nogueira 
Os portadores de deficiência auditiva César Grígio, 33 anos, Célia Aparecida da Silva, 31, Beatriz dos Santos Pereira, 29, Cleusa Camargo de Oliveira, 31, e Geraldo Ricardo Miranda, 25, fizeram, no início da noite de ontem, suas matrículas no curso de Pedagogia do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon).
Eles foram aprovados no vestibular e não têm condições financeiras para pagar os estudos. O valor da matrícula - R$ 236,00 - foi doado pela 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, que concedeu também duas bolsas de estudo integrais. Entretanto, os calouros especiais ainda necessitam de auxílio para pagar as mensalidades do curso - também no valor de R$ 236,00 cada uma.
Apesar de ainda não terem totalmente garantido o direito de fazer o curso, ontem os calouros estavam irradiantes. De acordo com a voluntária Rosana de Cássia Ribeiro, que traduz a linguagem dos sinais, os calouros estão empolgados com a possibilidade de vencer mais este desafio de suas vidas e demonstrar para todos - sobretudo para os próprios portadores da necessidade especial - que é possível superar a deficiência.
Até o final da tarde de ontem, o Cesulon não havia recebido nenhum pedido especial de concessão de bolsa ou qualquer facilidade para que os surdos-mudos possam frequentar o curso de Pegagogia da instituição. De acordo com o diretor-geral, Eleazar Ferreira, o Cesulon já deu sua contribuição aceitando as inscrições dos candidatos ao vestibular sem o pagamento da taxa. Nossa postura em relação a este caso é como em tantos outros. Estamos aguardando a efetivação da matrícula normalmente. Até agora não recebemos nenhum pedido especial.
Aguardando na fila da matrícula, Rosana explicou que ainda não fez nenhum novo pedido à direção do Cesulon porque aguarda a manifestação de algum voluntário que se sensibilize com a causa dos surdos-mudos e ofereça mais bolsas de estudos. Vamos aguardar um pouco mais. Em último caso, vamos apelar para que o próprio Cesulon crie facilidades para que todos possam estudar, completa Rosana.


