Considerada uma religião tipicamente ocidental, o catolicismo tem pouco espaço no Japão, apesar de ter sido introduzido há quatro séculos no país. Estima-se que apenas 440 mil dos 130 milhões de habitantes japoneses são católicos. A história do cristianismo no Japão é marcada por muitas mortes, perseguições e preconceito.
Uma das datas mais significativas para o cristianismo japonês é o dia da morte dos 26 santos mártires de Nagasaki, ocorrido há 400 anos, em 5 de fevereiro. Esta data será comemorada em todas as paróquias japonesas. Em Londrina, a Paróquia Pessoal Nipo-Brasileira irá realizar uma missa, no dia 2 de fevereiro, às 10h30, na Catedral de Londrina (área central). Na ocasião, será encenada a crucificação e morte dos santos mártires.
O padre Lino Stahl, da Paróquia Nipo-Brasileira, explica que entre os 26 mártires estão seis padres franciscanos espanhóis e mexicanos, três jesuítas e dois adolescentes japoneses. Eles foram amarrados em cruzes, na colina de Nishizaka, em Nagasaki (ilha ao sul do Japão) e seus corpos foram transpassados por lanças.
O padre observa que os corpos dos mártires ficaram no local durante um mês. ‘‘As autoridades japoneses queriam, com isso, que o povo ficasse com medo de seguir esta religião’’, relata. Ele explica, no entanto, que a morte serviu como um incentivo. ‘‘Eles morreram cantando e não se lastimando, mostrando a força da f钒, conta.
Depois do martírio, os cristãos japoneses foram perseguidos e o país ficou fechado à influência externa por mais de 200 anos, do século 17 ao 19. A situação começou a mudar em julho de 1853, quando o comandante de uma frota de navios de guerra dos Estados Unidos entrou na baía de Tóquio, exigindo abertura para relações comerciais e de amizade. Em 1862, os mártires foram canonizados pelo papa Pio IX.
Os conflitos, no entanto, só cessaram mesmo após a Segunda Guerra Mundial. No local onde ocorreu o martírio, foi erguido um monumento aos 26 santos e, ao lado, construídos um museu e uma igreja. A diocese de Nagasaki possui atualmente 70 mil integrantes.
Padre Lino Stahl observa que, apesar de não existirem mais perseguições, o cristianismo japonês ainda hoje é visto com um certo preconceito. ‘‘Os japoneses são bastante tradicionais e muito ligados ao budismo. E adotar o cristianismo seria mudar toda uma tradição’’, observa. Além disso, ele explica que o catolicismo ainda é visto como uma religião ocidental e não universal.
O ministro da eucaristia da paróquia, Seijo Akatsu, acredita ser importante fazer uma encenação do martírio para que os católicos reflitam mais sobre o assunto. ‘‘O cristianismo no Japão foi implantado com muito sacrifício e esta encenação deve tocar fundo os que estiverem assistindo à missa’’, acredita.
O padre Stahl acredita que existam entre 20 e 25 mil japoneses e descendentes em Londrina, mas não sabe dizer quantos deles são católicos. ‘‘Na missa realizada todos os domingos de manhã na paróquia comparecem aproximadamente 300 pessoas’’, conta.
O padre explica que essa missa difere em alguns pontos das rezadas em outras paróquias. As orações e cantos, por exemplo, são realizados em um tom mais baixo. ‘‘Os japoneses não gostam de muito barulho e preferem um ambiente mais propício à reflexão’’, relata.
A paróquia nipo-brasileira foi fundada em agosto de 1989 e funciona em um prédio anexo à Paróquia Imaculada Conceição, na rua Belo Horizonte (área central). Padre Lino Stahl ressalta que o objetivo da paróquia é de evangelização e, para isso, são realizadas diversas atividades, como catequização de adultos e crianças. A paróquia realiza também várias promoções para ajudar na manutenção de uma creche localizada no jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste), mantida pelas Irmãs de Betânia, uma congregação japonesa.

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