''Criança amada ou mal-tratada?'' foi o tema da campanha contra o abuso infantil realizada pela Igreja Adventista do 7º Dia do Jardim Interlagos (Zona Leste de Londrina). Com o objetivo de esclarecer e educar os moradores do bairro em relação à violência contra crianças, a instituição organizou diversas atividades na manhã de ontem em uma praça na rua do Morango, de modo que toda a comunidade pudesse ter acesso. A iniciativa integra uma campanha anual da igreja sobre abuso infantil denominada ''Quebrando o Silêncio''.
Roseli de Barros Andrelino, presidente do Ministério da Mulher e do Clube de Desbravadores Interlagos, calcula que cerca de 300 pessoas compareceram ao local. Ela ministrou uma palestra aos pais sobre as várias formas de abuso infantil. ''Violência contra a criança não é só física ou sexual, existem também formas verbais de ofender, criticar e até zombar'', lembrou. Roseli esclareceu ainda que mesmo o abuso sexual não é apenas a concretização do ato, e que pode acontecer sem um contato físico direto.
A organizadora alertou que a negligência às necessidades básicas da criança, como abrigo, alimentação, vestuário, educação e cuidados médicos, também é uma forma de abuso. ''Nós tentamos alertar as pessoas sobre a possibilidade de a violência estar acontecendo dentro de suas próprias casas sem elas perceberem'', explicou. Roseli cita que, dentre os problemas apresentados pelas crianças vítimas de abuso, estão o comportamento agitado, ansiedade, tristeza, dificuldades na escola, agressividade, falta de motivação e medo.
''Pra mim, violência infantil era bater, espancar a criança. Não sabia que envolve também tratar mal, deixar faltar coisas'', confessou Rosimeire da Silva Machado. Mãe de três filhas com idades entre 6 e 12 anos, ela reconheceu que agia de maneira errada. ''Tenho uma filha que é mais gordinha, e eu falava certas coisas tentando ajudar, mas descobri que acabava ofendendo ela. Essa palestra mudou muito o meu modo de pensar'', revelou.
Os pais ainda puderam se inscrever nos cursos ''Escola de Pais'' e ''Como deixar de fumar'', previstos para começar em novembro. Além disso, cerca de 50 cartazes educativos, confeccionados por membros de diversos setores da entidade, foram expostos na praça. Já para as crianças, foram realizadas atividades recreativas diversas, como cama elástica e brincadeiras divididas por faixa etária. Também foram distribuídos pipoca, algodão-doce e geladinho para todos os presentes.
O projeto, porém, não pára por aí. A igreja pretende dar continuidade às atividades através de um contato mais direto com os moradores. ''Queremos levar essa campanha para dentro das escolas, para fazer com que os pais realmente se comprometam com essa causa'', informa Roseli.

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