Igreja exclui Miranda Leal
Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
Assembléia realizada anteontem por representantes da Igreja Só O Senhor É Deus, na sede oficial do templo em Maringá, decidiu cassar o título e excluir da igreja o fundador e ex-presidente Alécio Miranda Leal. A decisão seguiu normas do regimento interno, porque Leal é acusado de tomar atitudes contrárias à Bíblia e à própria igreja. O conselho fiscal tenta agora sequestrar bens e resgatar cerca de R$ 3 milhões.
Parte deste dinheiro saiu de contas correntes administradas pelo ex-presidente antes dele renunciar e ir para o exterior, no final do ano passado. O paradeiro de Leal é ainda considerado incerto e não sabido. A igreja reúne mais de um milhão de fiéis no Brasil, Argentina e Paraguai.
O vice-presidente da Só O Senhor é Deus, Geraldo Aparecido Marciano, acredita que Leal esteja no Brasil. Segundo Marciano, a igreja vem mantendo contato com alguns advogados do ex-presidente para tentar um acordo na devolução de bens. Até agora a Só O Senhor É Deus conseguiu sequestrar um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), e uma carta precatória para apreender uma Mercedes Benz S500, modelo 1999, avaliada em R$ 300 mil. Marciano disse que a igreja ainda não conseguiu localizar o veículo.
A igreja também não conseguiu terminar o levantamento do montante que teria sido levado por Miranda Leal. Marciano acredita que os valores ultrapassam R$ 3 milhões. Sabemos que só em saques nas contas correntes foram R$ 2.625.000,00, afirmou o missionário Marciano. A igreja descobriu que, antes da renúncia, Leal vendeu um apartamento localizado no centro de Maringá com valor aproximado de R$ 80 mil.
Marciano disse à Folha que no momento certo e por decisão do conselho fiscal a igreja poderá responsabilizar criminalmente o ex-presidente. A ação contra Leal corre pela 6ª Vara Cível de Maringá. O perdão a Miranda Leal é possível porque vem de Deus, mas a confiança jamais será resgatada, porque ele fez tudo no oculto e quando a igreja tomou conhecimento, já era tarde, afirmou Marciano.





