Mario CesarAssistênciaAula de informática: crianças pobres aprendem a usar equipamentoCrianças carentes da zona norte de Londrina estão tendo a oportunidade de aprender informática a custo praticamente zero. No mês passado, em um salão do conjunto Maria Cecília, começou a funcionar o Ministério Assistencial de Informática (MAI), curso organizado pela Igreja Presbiteriana.
Estão inscritos 177 alunos de 8 a 13 anos e existe uma fila de espera com quase 100 crianças e adolescentes. ‘‘O nosso objetivo é de levar a informática para crianças que nunca teriam a oportunidade de frequentar cursos em escolas particulares’’, observa o coordenador do curso, Ricardo Martins Matioli. Cada turma tem aulas duas vezes por semana, durante uma hora cada.
O projeto começou a ser idealizado no ano passado, quando a igreja ganhou um computador e começaram a ser ministradas aulas de informática para filhos dos frequentadores da igreja. ‘‘Vimos que deu resultado, as crianças aprenderam muito rápido. Por isso resolvemos expandir o curso para a comunidade’’, ressalta Ricardo Matioli. Ainda em 1997, a igreja recebeu a doação de 10 computadores usados e resolveu abrir inscrições para o curso no início deste ano.
Para realizar a matrícula, tiveram prioridade as crianças cuja renda familiar não supera quatro salários mínimos. Dependendo da condição financeira da família, o aluno fica isento ou paga uma taxa que varia de R$ 2,00 a R$ 10,00. ‘‘A criança também precisa estar estudando’’, afirma o coordenador do curso. ‘‘Se recebemos a inscrição de uma que não está matriculada, encaminhamos para uma escola próxima’’, ele explica.
Ricardo Matioli afirma que muitas crianças que frequentam o curso têm deficiências de aprendizado. Por isso, durante as aulas, elas também têm atividades que servem como reforço escolar. As aulas são dadas por 10 professores de informática voluntários. ‘‘Eles estão desempregados e resolveram colaborar conosco, sem ganhar nada’’, diz ele.
Apesar da precariedade (equipamentos antigos e carteiras não adequadas), Ricardo Matioli diz que o objetivo do curso está sendo alcançado. ‘‘As crianças vão sair daqui com fundamentos de informática’’, afirma. Ele observa que a maioria dos alunos sequer tinha visto um computador antes de começar a fazer o curso.
O estudante Renan Lopes Ribeiro, 11 anos, confessa que achava que o computador era um bicho-de-sete-cabeças. ‘‘No início das aulas era difícil, mas agora já aprendi muitas coisas’’, afirma Renan. Aniely Batista de Souza, 9 anos, garante que já está familiarizada com bytes, memoria RAM e outros termos de informática. Ambos acham importante frequentar o curso. Eles acreditam que, em qualquer profissão, é necessário ter noções de informática.
Por enquanto, o curso atende somente crianças. Mas, devido à grande procura, Ricardo Matioli explica que deverão ser abertas turmas noturnas para adolescentes e adultos. ‘‘Não imaginávamos que o curso teria tanta procura’’, revela.
Para poder atender a demanda, o coordenador diz que seria preciso adquirir mais computadores e melhorar as condições da sala de aula. ‘‘Estamos aceitando doações desde revistas usadas de computador até um Pentium’’, brinca. Mais informações sobre as aulas de informática podem ser obtidas pelo fone (043) 326-2035.

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