Igreja de Nova América da Colina é interditada
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Luciane Tonon 
Dorico da SilvaProblemas de infiltrações põem em risco vida dos fiéisA Igreja Matriz de Nova América da Colina (32 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio) está interditada desde segunda-feira por medida de segurança. O templo apresenta várias rachaduras provocadas por infiltrações e parte do telhado está condenado. A avaliação foi feita pelo Corpo de Bombeiros (CB) de Cornélio Procópio. Ainda não há previsão de quando a igreja poderá ser reaberta. Enquanto isso, as missas vão ser realizadas no salão paroquial ao lado da igreja, ou ainda no pátio.
O capitão do Corpo de Bombeiros, Jorge Luiz Pereira, informou que o próprio pároco, Marcos Waine, solicitou uma vistoria, preocupado com as estruturas da igreja. Constatamos a presença de várias infiltrações e problemas nas paredes laterais da edificação. Achamos por bem intervir, interditando a igreja, para não colocar a vida dos fiéis em perigo, afirmou Pereira. Segundo ele, a liberação do templo somente irá acontecer mediante a conclusão dos reparos e com laudo técnico fornecido por um engenheiro. A obra é reaproveitável e por isso deverá ser breve a reabertura.
O bispo diocesano, Dom Getúlio Teixeira Guimarães, disse que a comunidade já está se mobilizando para as reformas. Pretendemos começar o quanto antes, mas ainda não há previsão de término. Para o Bispo, o estado do templo não é caso de calamidade. Precisa de reformas e por isso houve a interdição. É uma edificação antiga e construída pelo próprio povo, disse.
Dorico da SilvaMedida de segurançaEnquanto a Igreja Matriz estiver interditada, as missas serão realizadas no pátio ou no salão paroquial
Apesar da comunidade ainda não estar esclarecida sobre o problema ocorrido no templo, muitos moradores de Nova América da Colina não se conformam com as portas fechadas. É difícil ver a porta da igreja fechada e a praça vazia, comentou a dona de casa, Maria Aparecida Inhesto, 57 anos. Depois que ficamos sabendo das rachaduras, dá medo de ficar lá dentro. Tem que ter muita fé, disse o serviços gerais Cláudio Santana, 28 anos.
A igreja matriz foi construída em 1958, pela própria comunidade. O terreno era bastante irregular. Como a gente não tinha maquinário, todo o aterro foi feito na mão, lembrou o apossentado Augusto dos Santos, 68 anos. Segundo ele, o padre da época (identificado como Jerônimo) convocava 40 homens por final de semana para ajudar em sistema mutirão.
Acho que enchemos quase 200 caminhões de terra com a pá manual, disse Santos. Ele lembrou ainda que quando chegou na cidade a igreja já tinha os pilares prontos. O próprio padre Jerônimo era o engenheiro, acrescentou.
O pároco local, Marcos Waine, se recusou a dar entrevista à Folha sobre o assunto. Ele alega que o problema das infiltrações não é tão grave como parece. Um dos fiéis que estava acompanhando o padre justificou o silêncio do pároco dizendo que estão pintando o diabo mais feio do que ele é.


