Nélio ZortéiaCrianças oram no altar construído no local das supostas aparições de Nossa Senhora Rainha da PazCatólicos que foram à missa domingo nas paróquias de Cascavel foram alertados para a mistificação que estaria ocorrendo em torno das aparições (ou avistagens) de Nossa Senhora Rainha da Paz, em Barreiros, no município de Reserva, na região central do Estado. Milhares de pessoas, muitas de Cascavel, fazem verdadeiras romarias até o local das supostas aparições. Quatro padres da Arquidiocese estiveram na localidade misturando-se aos peregrinos, e voltaram preocupados com o que viram. Por isso, iniciaram o alerta aos fiéis.
O padre Sandro Cortese, vigário da Paróquia da Neva e assessor de comunicação da Arquidiocese de Cascavel, esteve em Reserva na companhia dos padres Nélio Zortéia, Hélio Dallagnol e Valdeci Camilo. Sandro disse ontem que o clero é ‘‘o primeiro a elevar o culto a Maria’’ (ou Nossa Senhora), ‘‘mas isso não significa estimular mistificações’’. Ele observa que ‘‘a devoção das pessoas é algo verdadeiro e deve ser proclamado’’, mas isso não pode levar aos excessos ‘‘como está ocorrendo em Reserva’’, ou em pelo menos 150 locais diferentes no mundo onde a santa estaria sendo avistada.
‘‘Nós estivemos lá e saímos com o sentimento de compaixão pelo que vimos’’, relata Sandro Cortese. Segundo ele, as pessoas que vão a Reserva para ver a santa geralmente são muito carentes. ‘‘São vítimas de outros sinais que estão aí, bem visíveis, da fome, da violência, do desamor’’. Cortese acrescenta que ‘‘o povo não tem saúde, não tem educação, e por isso bate o desespero’’. Ele alerta que se Nossa Senhora estivesse mesmo aparecendo ‘‘certamente interviria contra as situações de desigualdade, de miséria, de corrupção’’.
O assessor de comunicação da Arquidiocese observa que muitas pessoas que dizem avistar a santa acabam até sendo agressivas com as que dizem não ver, e que outras relataram ser praticamente obrigadas a dizer que viram.
Sandro Cortese acrescenta que para grande número de pessoas o resultado concreto é ‘‘a obrigação de uma visita ao oculista no dia seguinte’’, por causa da longa exposição dos olhos ao sol. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o padre Nélio Zortéia, que fez o chamado ‘‘teste de São Tom钒, ver para crer. Nenhum dos padres de Cascavel viu a santa.

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