Igreja Católica já admite que está perdendo terreno para concorrentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de agosto de 1997
Curitiba 
Arquivo FolhaDom Ladislau: católicos atraídos por outras seitas não eram praticantesA Igreja Católica reconhece que está perdendo terreno para os evangélicos e demais seitas que estão em pleno desenvolvimento na cidade. A igreja sempre esteve tranquila e quase ninguém a contestava. Com o domínio dos meios de comunicação de massa pelas igrejas evangélicas pentecostais, nossa hegemonia foi contestada de maneira mais forte, avalia o bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba, dom Ladislau Biernaski.
Para ele, a grande maioria dos católicos que foram atraídos pelas outras religiões eram apenas católicos nominais (com o batismo), e não praticantes. Não isentamos a nossa culpa, já que durante muito tempo a igreja fez pouco por eles (os católicos nominais), comenta o bispo auxiliar.
A estratégia para atrair fiéis ao interior das paróquias foi modificada. Hoje, a igreja busca novos métodos para ir ao encontro daqueles que são apenas nominalmente católicos. Dom Ladislau cita como exemplo as Comunidades Eclesiais de Base, que reúnem moradores de bairros, e a Pastoral da Visitação - católicos preparados que vão visitar famílias.
O número de templos também cresce em ritmo mais lento, em comparação às outras religiões. Segundo dados da Arquidiocese de Curitiba, a cada ano são construídas de quatro a cinco paróquias na capital e nos municípios da Região Metropolitana. Hoje, a Arquidiocese de Curitiba coordena cerca de 140 paróquias, além de 600 comunidades ou capelas. Este ano, estão sendo abertas unidades em Itaperuçu, Fazenda Rio Grande, Tatuquara (Umbará) e na Vila Tingui.
Em relação ao número de seminaristas que fazem cursos de formação na cidade, o bispo auxiliar diz que houve crescimento nos últimos anos mas admite que o volume não acompanha o aumento populacional da região. Proporcionalmente, o volume teria que ser bem maior.
Dom Ladislau critica as diretrizes das outras seitas, especialmente o fundamentalismo (não se pode interpretar a palavra de Deus ao pé da letra) e a arrecadação de dinheiro (é como se a graça de Deus dependesse do tamanho da oferta). (G.P.)


