A juíza da Vara de Infância e Juventude do Fórum de Umuarama, Mária Lúcia de Paula Espíndola, acredita que a maioria dos casos de adoções à chamada ‘‘moda brasileira’’ ocorre por ignorância das pessoas. Muitas gestantes ou mães que querem doar o filho não sabem que o melhor caminho é procurar o Fórum. Outras tem medo da Justiça.
Os casais que desejam adotar também evitam os meios legais por acharem difícil e demorado demais. ‘‘É preciso desmistificar essa idéia de que adotar legalmente no Brasil é difícil. Não 钒, assegura Maria Lúcia. ‘‘Basta que o casal reúna as condições básicas necessárias para adotar’’.
Nas comarcas maiores, quem informa ao juiz se o casal pode ou não adotar são as técnicas do Serviço Auxiliar da Infância e Juventude (SAI), depois de um estudo minucioso. A psicológa do SAI de Umuarama, Neide Zumas, informa que só são reprovados casais que vivem na miséria, que já tenham muitos filhos, problemas conjugais ou de saúde, vícios como álcool ou drogas ou qualquer outro problema grave. ‘‘A motivação e a consciência do casal em torno do que significa uma adoção também pesa bastante’’, informa.
De 1993 até agora, aproximadamente 75 casais se inscreveram para adoções crianças na Comarca de Umuarama. Desse total, cerca de 40 já conseguiram uma criança. Alguns desistiram e o restante está na lista de espera. Apenas três tiveram o pedido de inscrição indeferido.
Casais que insistem em adotar, embora não tenham as mínimas condições, acabam condenando muitas crianças à morte. Foi o que aconteceu com Margarida Amélia de Jesus e o marido dela, o pedreiro José Miguel da Silva, de Umuarama.
Com três filhos próprios já adultos, o casal pegou dois bebês para criar. O primeiro, com poucos dias de vida, foi recolhido pelo juizado, depois de ser internado com quadro grave de desnutrição e desidratação. O segundo, adotado em outra cidade logo depois, morreu de pneumonia com cinco meses de idade.
Margarida e José são analfabetos, desconhecem noções básicas de higiene e cuidados infantis e, até pouco tempo, moravam num barraco paupérrimo na periferia da cidade.

mockup