Curitiba guarda algumas preciosidades em suas praças, mas pouca gente repara nelas ou sabe de sua origem. Espalhados em 417 áreas de lazer, estão estátuas, bustos e painéis de artistas como João Turim, Poty Lazzarotto, Erbo Stenzel, Fernando Calderari, Franco Giglio, entre outros talentos locais. Esculpidos em bronze, mármore e ferro ou feitos de azulejos, esses monumentos estão deteriorados pelo tempo e ação de vândalos. A própria Prefeitura admite que não sabe como está o estado de conservação e, em alguns casos, onde foram parar essas obras. Atualmente, nenhum dos monumentos tem manutenção periódica.
Marcelo AlmeidaEm frente a escultura Chama da Paixão, no Jardim Schaeffer, o funcionário público Erailton Reikdal Sexto afirma que, tão abstrata como a obra, é a manutenção da escultura. A obra é uma homenagem ao poeta Fernando Pessoa. ‘‘Mas alguém sabe disso?’’, pergunta-se
Houve até casos de roubos de monumentos. Na ‘vilinha’, no Atuba - onde começou a colonização de Curitiba -, a obra que registrava esse fato histórico foi levada a uma propriedade particular, mais tarde recuperada. Nem o Boneco de Vento do Laurentino - que ficava no Alto da XV - foi poupado, a ponto de a Casa da Memória não saber onde está esse tradicional ícone da cidade.
Albari RosaAcima, o local onde antes existia o Boneco de Vento do Laurentino. Abaixo, à direita, o Cavalo D’Água, polêmica escultura de Ricardo Tod. Dois exemplos de que a opinião dos cidadãos não é levada em conta na hora de retirar ou colocar alguma obra na cidadePor causa disso, a Coordenação Municipal do Patrimônio Cultural inicia em julho um levantamento para avaliar a situação de cada uma de suas áreas de lazer. Até o fim do próximo ano, serão catalogados estatuários, placas, vegetação e edificações que estiverem nestes locais. ‘‘O último levantamento desse tipo foi realizado em 1986, mas não de forma integrada’’, disse Milna Leone, da coordenação de patrimônio.
Arquivo Folha‘‘Com base nos dados levantados, será feito o restauro e montado um banco de informações, incluindo um manual sobre como cuidar dos monumentos’’, informa Ana Maria Hladczuk, da Casa da Memória. Esse estudo servirá também para a criação de uma legislação para o setor.Marcelo AlmeidaNo Largo Bittencourt (ao lado) e na Praça Eufrásio Correia estão dois exemplos do desrespeito nos logradouros da cidade. No Largo, o garçom Ivo Finu olha a obra de Fernando Calderari tomada pela ferrugem, e o pedestal rachado. Na centenária Eufrásio Correia, o vereador Jair Cezar pediu a colocação de paralele-
pípedos, no lugar do chão de saibroSem manutenção por parte da Prefeitura, monumentos de Curitiba
estão em mau estado de conservação e alguns até sumiram

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