Josoé de CarvalhoVia submersaA rua Professor Joaquim de Matos Barreto, invadida pelas águas: moradores culpam obra da PrefeituraAs chuvas da manhã de ontem causaram estragos e muitos transtornos em Londrina. A situação esteve mais difícil nas margens do Lago Igapó 2, que transbordou e alagou a rua Professor Joaquim de Matos Barreto, jardim Maringá (zona oeste). Em vinte minutos de chuva, três carros - uma perua Blazer, uma Saveiro e um Volks - que estavam estacionados na rua, ficaram submersos. Na avenida Dez de Dezembro (Via Expressa), desmoronou uma barreira de terra abaixo do viaduto próximo à avenida Leste-Oeste. A pista ficou interditada no sentido norte-sul. O incidente ocorreu antes das 9h30.
As obras de transposição da rua Maringá sobre o lago Igapó contribuíram para o alagamento da rua Joaquim de Matos Barreto. O veterinário Fernando Augusto Rossi Freitas, que tem escritório e clínica naquela rua, conta que estacionou sua Saveiro (placas BES 1200, de Londrina) às 8 horas. ‘‘Deixei o carro parado na calçada porque vi que estava chovendo muito’’, diz. Duas horas depois, o carro ficou com água pela metade. ‘‘Encheu até a altura do motor.’’
O prensista João Ribeiro da Cunha, que mora no conjunto Eucaliptos (zona leste), estava indo para a Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde tinha agendada uma consulta médica. Por volta das 7h30, quando transitava pela Joaquim Barreto, acabou a bateria do Volks (placas AEU 7842, de Londrina), e Cunha deixou o carro lá mesmo. ‘‘Fui de ônibus para a Universidade. Na volta, quando vi tudo alagado. Achei que o meu carro tinha ido embora.’’
Com água até a cintura, os bombeiros retiraram a Saveiro, a Blazer e o Volks. Um Chevette, que ficou submerso na garagem da uma das casas da Joaquim Barretos, também foi retirado pelos bombeiros.
Josoé de CarvalhoPuxando o carroBombeiros retiram Chevette da rua alagada: nível das águas subiu rapidamente e causou estragos
A dona-de-casa Terezinha dos Santos Souza, moradora da Joaquim Barretos, conta que o Chevette é do filho que trabalha como motorista de uma empresa. O rapaz havia retirado o carro do conserto anteontem, com a pintura nova. ‘‘Não sei qual vai ser a reação dele quando vir o carro desse jeito’’, diz a mãe. ‘‘Íamos tirar o carro da garagem, mas não deu tempo. Desde que começou a transposição da rua Maringá, qualquer chuva causa esse transtorno.’’
O comerciante Osmar Pereira Santana mora na rua Charles Darwin, paralela à rua Joaquim Barreto, onde tem uma lanchonete, que ficou inundada. Segundo ele, deve ter estragado o freezer, que estava ligado na tomada. ‘‘Está tudo dentro d’água na lanchonete. Não vai dar para abrir hoje.’’ De acordo com Santana, ele e mais três vizinhos foram até a Prefeitura, no início de janeiro, pedir providências em função dos alagamentos. ‘‘A promessa foi de que resolveriam a situação.’’
Na Via Expressa, o desmoronamento de uma barreira de terra exigiu muito trabalho dos funcionários da Prefeitura. Debaixo de chuva, duas retroescavadeiras, uma pá-carregadeira, uma motoniveladora e um caminhão trabalharam para retirar a lama que tomou conta da pista. A pista foi liberada por volta das 15 horas, depois de ter sido lavada por um caminhão pipa da Prefeitura.
Com relação ao alagamento da Joaquim Barreto, o secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, diz que a transposição da rua Maringá não é a responsável pelo alagamento. Segundo o secretário, para formação do lago Igapó 2, foi levantado em 60 centímetros o nível dos vertedouros que ligam o lago 1 ao 2. Com isso, o nível da rua Joaquim Barreto fica mais baixo que o do lago. A solução imediata, de acordo com o secretário, será baixar o nível dos vertedouros em 20 ou 30 cm. Para adotar essa medida, o secretário deve se reunir, no máximo até amanhã, com a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e com o Iate Clube.
‘‘Para solucionar o problema definitivamente, seria necessário construir mais vertedouros’’, diz Righi de Oliveira. A construção de mais vertedouros também requer estudos de meio-ambiente e recursos, já que a obra não ficaria barata - explica o secretário. ‘‘Essa construção requer interdição da avenida Higienópolis.’’
Com o aumento do nível do Lago Igapó 1 em cerca de 50 cm, a Secretaria de Obras recebeu ontem queixas de moradores do jardim Bela Suíça (zona sul), que tiveram piscinas das casas alagadas. ‘‘Se o vertedouro da barragem do Igapó for aberto, famílias ribeirinhas que ocupam uma área perto da cooperativa Cativa vão ter suas casas levadas pela água. Então, não posso fazer isso agora,’’ explicou Righi.

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