Igapó sofre nova agressão ambiental
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Usuários da pista de exercícios do Lago Igapó I, na Área Central de Londrina, encontraram um cenário desolador ontem pela manhã. Lixo, peixes, ratos e até um cachorro morto boiavam nas águas do canal próximo à Rua Amintas de Barros. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) visitaram o local e recolheram amostras da água para identificar as causas da mortandade de peixes. Para o chefe regional do IAP, Ney Paulo, as hipóteses mais prováveis são a poluição e a pesca predatória.
Boiando à margem do canal, as tilápias de aproximadamente 0,5 kg estavam inchadas e exalando forte cheiro. A concentração de animais mortos era maior na altura do começo da pista de caminhadas. No entanto, era possível localizar mais peixes ao longo de todo o lago.
''Venho pescar todos os dias e sempre aparece um peixe boiando por aqui'', contou o estudante David Issa Nader Gonçalves. ''Mas hoje (ontem) realmente tem mais. Lá no começo do lago, perto do monte de folhas que está na água, tem até ratos e um cachorro morto'', completou. Além dos animais, era possível identificar latas, garrafas plásticas, sacos e tampinhas. ''Quando chove vem ainda mais lixo com a correnteza'', descreveu o estudante.
Os técnicos do IAP chegaram por volta do meio-dia e fizeram coletas para exames de medição da quantidade de oxigênio e qualidade da água. ''Não é possível dizer de imediato o que pode ter provocado a morte dos peixes. Só com os exames poderemos dizer algo'', disse o técnico hidrometrista do instituto, Hélio Bigetti.
Ney Paulo acredita que a poluição do lago pode ter provocado o incidente. ''Há ligações clandestinas de esgoto na região e isso sempre provoca um desastre. Às vezes, só a lavagem de uma calçada com ácido já pode jogar vários litros de material poluente nas águas. Mas também temos que considerar a possibilidade de pesca predatória'', afirmou.
Ainda de acordo com Ney Paulo, os resultados dos exames devem ser divulgados em 10 dias. No começo do ano, o instituto havia feito exames semelhantes e o resultado apontou que sete de 10 pontos analisados são impróprios para o lazer. Vale lembrar que é proibido nadar no Igapó. A multa mínima, no caso de identificação de supostos autores do despejo de poluição, é de R$ 1,5 mil.


