Londrina - O calor histórico das últimas semanas no Brasil favorece a busca por lazer, sobretudo ao ar livre. Isso porque, em função do clima quente e, muitas vezes, abafado, ficar em casa é um verdadeiro desafio. Não é novidade que Londrina oferece poucas opções gratuitas. A famosa barragem do Lago Igapó, na área central, portanto, acaba sendo uma das escolhas de famílias a jovens. Principalmente aos domingos, o local sempre foi e continua sendo frequentado por centenas de pessoas que desejam passear e respirar ar puro. Porém, a movimentação recente tem dividido opiniões de quem vai à região.
Se de um lado os jovens que vão ao local defendem o som alto, a venda de bebidas alcoólicas e o clima de festa, de outro, famílias com crianças reclamam da bagunça e do medo de brigas e confusões. "Alguns meses atrás, era lotado de famílias e pais com os filhos; ficava até difícil conseguir uma sombra. Hoje, muita gente não vem mais por conta do que virou o lugar. Acabei de chegar, mas já vou embora", comentou o gerente comercial Alexsander Simioni, que estava na barragem no último domingo, com a esposa e os filhos gêmeos, de 4 anos.
Quem já sente o reflexo dessa situação são os vendedores mais antigos, como os que comercializam caldo de cana, água de coco e doces. "O movimento e a venda diminuíram muito. O barulho afasta as famílias e o pessoal que vem só quer bebida alcoólica", reclama Adélcio Costa Penha, proprietário de um carrinho de caldo de cana, atentando para a quantidade de ambulantes na região que não pagam impostos dos alvarás. O mesmo comenta a vendedora de algodão doce, Rose Silvério. "A falta de estrutura e a bagunça deixam as famílias com crianças com medo."
Basta andar mais um pouco e presenciar ao que eles se referem. Dezenas de vendedores dividem a grama munidos de seus isopores cheios de cerveja. "Aproveito para ganhar um dinheiro extra", disse um deles, que não quis se identificar. A poucos metros dali, um carro modelo pickup carregada de isopores estacionada sob a grama. Ao lado, nada menos que um banheiro químico, ao preço de R$ 1. "Temos que pagar se precisarmos ir, porque eu não vou no mato", disse a vendedora Silvana Dias. O resultado ao fim do dia é muita sujeira abandonada, como sacos plásticos, restos de comida e muitas garrafas e latas de alumínio.

Potência
Uma simples volta no local é o suficiente para flagrar um verdadeiro campeonato de som alto. São dezenas de carros com equipamentos potentes tocando músicas em volume ensurdecedor. Contudo, donos desses veículos e amigos dizem que estão apenas se divertindo. "Não estamos fazendo nada de errado, apenas curtindo um som. As casas estão longe daqui", defende uma jovem de 17 anos. A amiga, Camila Lindaura, de 19 anos, comenta que, pela falta de lugar para os jovens aproveitarem as tardes de domingo, a barragem passou a ser eleita como o local do momento. "Se não viermos para cá, não temos para onde ir."
No meio de tudo isso, há ainda aqueles que se arriscam a entrar na água do lago – incluindo crianças pequenas e de colo - considerada imprópria para banho. "Se a gente tivesse condições financeiras, com certeza estaria numa piscina. É o único lugar de graça que existe para refrescar, então, sempre vimos para cá. Mas falta muita coisa: não tem um banco, um banheiro, uma área para as pessoas de idade descansarem", pontua Edineia Vieira, acompanhada da filha.
Em cerca de uma hora e meia em que a reportagem esteve no local, duas viaturas da Guarda Municipal passaram na rua, mas não pararam. Não apareceram na barragem qualquer viatura da Polícia Militar (PM) e funcionários da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) ou Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).

Leia também:

- Órgãos reconhecem o problema

mockup