O novo secretário do Ambiente de Londrina, Cleuber Moraes Brito, estipulou a recuperação do Lago Igapó como o seu grande projeto à frente da Sema. "Gostaria de ver o Igapó no fim desta administração como um local verdadeiramente público, um patrimônio da cidade arborizado, com água limpa e como espaço de lazer e de educação ambiental."
Brito entende que a recuperação total do Igapó não pode ser um projeto apenas da prefeitura e por isso promete buscar parcerias com outras secretarias do município e governo do Estado. "As pessoas também precisam estar envolvidas neste processo de recuperação do principal cartão postal da cidade", coloca o secretário.
Para ele, o primeiro passo é fazer um diagnóstico para conhecer todos os pontos degradados e, assim, indicar o caminho a seguir para a recuperação. Brito entende que o desassoreamento do lago precisa acontecer, mas ressalta que só isso não resolve. "Se não cuidarmos da drenagem, da recuperação da mata ciliar, da gestão de resíduos e de uma educação ambiental, o assoreamento vai acontecer de novo", aponta.
"Imagino o Igapó um espaço onde se possa fazer atividades que integrem a sociedade, trazendo as crianças das escolas para programas ambientais. Um modelo sustentável para contemplar todos os lagos urbanos da cidade. Busco um lago que tenha qualidade, beleza e dê prazer as pessoas", ressalta Brito.

Sucateamento
Brito concedeu entrevista à FOLHA e falou de assuntos polêmicos da área ambiental em Londrina como a revitalização do Bosque Central, o controle de pombos, o plano de arborização e a estrutura precária da secretaria. "Há um sucateamento aqui da Sema que é comum a todas as secretarias municipais. Precisamos investir em infraestrutura", afirma.
A Sema tem hoje 117 servidores e o deficit é grande em todas as diretorias. "O setor de fiscalização é o mais crítico. Tem apenas sete fiscais. O ideal seria entre 20 e 25 servidores nesta área. Precisamos de pelo menos mais oito carros menores, além de caminhões", ressalta o secretário. O único caminhão Munck que o órgão possui está quebrado há mais de seis meses.
O orçamento da Sema aprovado para este ano é de R$ 10 milhões para suprir pagamento de servidores, custeio e manutenção. Houve um aumento de quase 40% em relação a 2012, mas a verba ainda é pequena. "Não podemos ter a ilusão que em 2013 vamos ter grandes transformações. Não há nenhum grande projeto previsto no orçamento, mas pelo menos deve haver uma sobra para melhorarmos a estrutura", explica Brito. "A partir do segundo ano vamos conseguir melhorar os serviços e poder investir em programas maiores."
Segundo o secretário, a prioridade neste primeiro ano a frente da Sema é fazer com que os trabalhos rotineiros possam ser realizados com qualidade, como recolhimento de resíduos, erradicação de árvores condenadas e atendimento as denúncias de crimes ambientais. "É o básico que temos que fazer. É nestes serviços que há uma cobrança maior da sociedade pela presença da prefeitura", frisa.

Bosque
O secretário entende que a polêmica da reabertura da Rua Piauí no Bosque Central já está superada. "É ponto definido: a rua não será aberta", frisa Brito. Ele afirma que a revitalização do espaço será feita após a conclusão do plano de manejo. Na primeira concorrência pública não houve interessados e a licitação deu deserta. Um novo edital será reaberto e a expectativa da Sema é que o plano de manejo esteja finalizado até o meio do ano. O secretário, porém, não garante o início das obras em 2013. "Dependemos do orçamento", justifica.
O secretário informou que não está satisfeito com as ações que foram tomadas até hoje para o controle dos pombos. Por isso, vai retomar a discussão. "Neste momento não tenho certeza da melhor alternativa. Não vou fazer experimentações. Quero agir sobre um posição consolidada do ponto de vista científico, até porque qualquer solução que tomarmos vai gerar uma consequência."
Até alguma alternativa de combate ser colocada em prática, Brito garante que vai manter os espaços públicos limpos. "Temos que manter estes locais onde há uma grande quantidade de pombos bem cuidados, até para evitar que a sujeira traga problemas de saúde para as pessoas.".

Plano de arborização
O município necessita de R$ 1 milhão para erradicar as mais de três mil árvores que estão condenadas e com protocolos na Sema. Esta é a estimativa de Brito, que ressalta que a secretaria não tem estrutura para realizar este trabalho. "Se eu conseguir este recurso, trataria este serviço como emergencial e com prioridade absoluta. Temos que buscar uma terceirização para diminuir esta fila.". Brito ressalta que é fundamental também que a Sema implemente uma nova metodologia na execução do serviço, para evitar que uma vez zerada a fila não volte a crescer.
O secretário ressalta que é necessário a implantação de um plano de arborização, principalmente para resolver a demanda de falta de árvores nos bairros em formação. "É necessário fazer parcerias com a construtora do loteamento para o plantio nos novos bairros. Para se criar um bairro é preciso pensar nas árvores também, não só em esgoto, asfalto, água e energia elétrica." Ele afirma que a secretaria está mapeando as regiões pobres em vegetação para iniciar um trabalho de plantio.

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