A população de Londrina pode assistir, nos próximos 10 anos, à morte do Lago Igapó 4, a parte do complexo que margeia a Avenida Castelo Branco (Zona Oeste). O assoreamento provocado pela colocação de lixo, material de construção, resíduos asfálticos e terra já diminuiu a superfície do lago em 40% desde o nascimento, em 1974, afetando de forma grave o ecossistema da região. A denúncia foi feita pelo membro da organização não governamental (ONG) Patrulha da Águas, João Batista. Ele alerta: os outros lagos também sofrem com o acúmulo de material, exigindo a elaboração de um planejamento urgente para absorção de águas pluviais.
Batista estima que os quatro lagos que compõem o complexo Igapó recebam, em média, 300 caçambas de lixo a cada grande chuva que cai sobre Londrina. ''Todo este material escoa para o Ribeirão Cambé, o principal formador do complexo, e acaba se acumulando nos lagos'', explicou. ''Junto com a terra que escorre com as chuvas, a água também traz metais pesados, óleos, material de construção, resíduos asfálticos e lixo, que naturalmente se acumula nos lagos, por serem locais onde a velocidade da água diminui a ponto de não conseguir mais arrastar essa massa'', continuou.
No Lago Igapó 4 que, segundo o ambientalista, encontra-se em situação crítica, medições realizadas pela ONG comprovam a perda de até dois metros na profundidade das águas, devido ao acúmulo de material. ''Nos locais mais rasos, a profundidade hoje é de um metro e nos mais fundos, de 3,5 metros. Estas medidas deveriam ser de três metros e cinco metros e meio, respectivamente'', disse. Em alguns trechos, é possível até mesmo observar pequenas ilhas formadas pelo assoreamento, por onde pássaros e outros animais parecem passear sobre a água.
De acordo com a avaliação de Batista, o entulho chega aos lagos devido à ineficiência do sistema de drenagem de águas pluviais na cidade. ''Londrina tem uma área impermeável muito grande, o que facilita a formação de enxurradas durante as chuvas. Este fluxo de água arrasta todo o lixo encontrado nas ruas para o Ribeirão Cambé'', afirmou. ''Claro, outros detalhes também influenciam, como a falta de grelhas nas entradas dos bueiros e a falta de educação ambiental por parte da população'', disse.
A diminuição da população de peixes nos lagos, segundo Batista, é a primeira consequência a ser observada no ecossistema da região. ''Em primeiro lugar, esta população sofre redução simplesmente por causa da diminuição de espaço nos lagos. Depois, a poluição que chega com o assoreamento contamina as águas, obviamente matando os animais. A cadeia alimentar que segue após os peixes é toda afetada'', teorizou.
Porém, mais grave do que o impacto ambiental provocado pelo assoreamento é a perda total do lago IV, que Batista estima que pode acontecer em 10 anos, se a cidade não contar, neste período, com planejamento adequado de drenagem pluvial. ''Os lagos viraram grandes lixões e se as causas do assoreamento não forem combatidas, medidas simples com dragagem não vão adiantar nada.''

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