IFPR leva mostra de projetos ao Calçadão
Iniciativa dos alunos da instituição teve como objetivo divulgar atividades desenvolvidas no campus de Londrina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de maio de 2019
Iniciativa dos alunos da instituição teve como objetivo divulgar atividades desenvolvidas no campus de Londrina
Pedro Marconi - Grupo Folha 

Dezenas de alunos do IFPR (Instituto Federal do Paraná) campus Londrina levaram para o Calçadão uma mostra dos projetos e trabalhos que desenvolvem na instituição. A atividade ocorreu na tarde de quarta-feira (15) e serviu para aproximar a comunidade da unidade e dos alunos. A ação foi proposta após o bloqueio promovido pelo governo federal em parte do orçamento das 63 universidades e dos 38 institutos federais de ensino do País. O contingenciamento aplicado inclui gastos não obrigatórios, como água, luz, terceirizadas, equipamentos e pesquisas.
A ideia da mostra partiu dos próprios estudantes, a grande maioria do ensino técnico integrado ao médio, que se organizaram com cartazes, textos explicativos e conversa com as pessoas que passaram pelo espaço. “Recebemos a notícia que nosso campus seria afetado por este corte e surgiu a mobilização, que também acontece com outros institutos federais do Brasil. Quisemos demonstrar para a população que a nossa produção pode ser prejudicada. No IFPR temos a oportunidade de iniciação científica e o que fazemos é educação, produção, não balbúrdia”, destacou Cecília Avansini, 17, diretora de cultura do grêmio estudantil da instituição.
Atualmente, o instituto em Londrina tem 53 projetos ativos, sendo 34 de pesquisa, 16 de extensão, dois de inovação e um de pesquisa e extensão. “Tivemos apoio dos professores, porém eles não estão envolvidos, mas sim os alunos. Também é uma forma de divulgar o próprio instituto, pois muitas pessoas não sabem que a cidade conta com uma unidade federal e conhecer pode ajudar a entender melhor nossa atuação”, apontou a jovem. Estudantes da UTFPR (Universidade Federal do Paraná) também participaram.
QUALIDADE DA ÁGUA
Uma das pesquisas apresentadas tem como foco os fatores que influenciam na propagação de doenças causadas por pombos. A análise teve como ponto de partida a qualidade da água, comparando Londrina e Salvador (BA). “Vimos que as principais doenças relacionadas com os pombos são transmitidas por conta da água contaminada. Por isso é essencial se atentar a qualidade da água, com ela sendo examinada e tratada, evitando assim a proliferação de patógenos”, explicou um das autoras, Maria Clara Manhani, 16.
SAÚDE
Outro estudo envolveu a depressão, propondo aproximar pacientes dos especialistas da área, visto que grande o número de pessoas afetadas por doenças psicológicas. “A terapia é algo necessário, então criamos um aplicativo para promover o primeiro contato entre o paciente e psicólogo, num momento de desespero ou só para conhecer mais sobre tratamentos corretos”, detalhou Rebeca Brizola, 17. “Isto seria gratuito e o psicólogo se cadastraria com seu registro profissional”, acrescentou Maria Fernanda Domingos, 16. Denominado Lumi, a pesquisa foi finalista de premiações estadual e nacional de inovação recentemente.
MEIO AMBIENTE
No campo ambiental, um das análises que foram levadas ao público está em sua fase inicial. Trata-se da criação de plástico biodegradável, em substituição a objetos como copos e canudos, que muitas vezes não recebem a destinação correta. “Estamos estudando para criar, a partir de nutrientes da cevada, o plástico que não polui e se for para o mar, por exemplo, pode ser consumido pelos peixes, pois não faz mal”, ressaltou Matheus Martins do Prado, 16, que está no IFPR Londrina há quase três anos. “O instituto tem um ensino médio diferente, pois criamos projeto e isso potencializa a aprendizagem. Recebemos orientação de professores extramente preparados e temos à disposição laboratórios.”
De acordo com a orientadora desta pesquisa, Gleice Almeida, integrar o conceito técnico com o cotidiano é uma maneira de resposta aos problemas atuais da sociedade, com os jovens participando do processo. “São maneiras de solucionar demandas presentes no lugar em que vivemos e os projetos de iniciação científica têm várias frentes. Os alunos de ensino médio elaboram projetos de alta qualidade, se vinculando a outras instituições, como UTFPR, UEL (Universidade Estadual de Londrina). Isto faz com que se integrem e estimula continuar. É uma questão social, pois temos o compromisso de devolver para sociedade alunos prontos”, valorizou.
ROBÓTICA
A mostra ainda contou com explicações sobre projetos que abrangem a robótica. “Criamos um secador de alimentos, utilizando o que aprendemos na robótica educacional. É uma estufa que traz vantagens contra o desperdício e isso é monitorado. Participamos de olimpíadas de robótica com robôs autônomos, numa espécie de máquinas salvadoras em desastres. Tudo isso nos faz aprender a trabalhar em equipe, ser solidários, porém com os investimentos do governo vêm diminuindo nos últimos anos e atingindo nossos projetos, nos prejudicando de participar de eventos”, relataram Gustavo Oliveira Martins, 18, e Caio Felipe da Silva Evangelista, 16.


