IEEL fecha estacionamento e
provoca reclamação de motorista
Lúcio Horta

Paulo Wolfgang
Em causa própriaSaconatto: ‘O colégio tem que ensinar coisas legais, não isso’A direção do Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL) resolveu fechar na última segunda-feira parte de um recuo da Rua Brasil, em frente ao colégio, para estacionamento dos veículos de funcionários e professores. O trecho, segundo a direção, pertence à escola e o acesso público estava causando transtornos, principalmente nos horários de saída e entrada de alunos.
Quem trabalha perto do local, no entanto, ficou revoltado com a decisão, diz que o trecho faz parte da rua Brasil e, portanto, não poderia ser utilizado como estacionamento particular.
A reclamação chegou ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), que se reuniria ontem à tarde com a direção do colégio para avaliar a situação. Também ontem o Ippul solicitou ao IEEL que, enquanto não for esclarecido se o trecho realmente faz ou não parte do colégio, o acesso ao público geral fosse restabelecido.
O trecho tem cerca de 80 metros, onde cabem aproximadamente 50 automóveis. O imobiliarista Antonio Nilson Saconatto, que trabalha há dois anos em um prédio em frente ao IEEL, disse que levou um susto, segunda-feira à tarde, quando tentou estacionar o carro no local. Para ele, o lugar é público e não pode virar estacionamento privativo. ‘‘Todo mundo achou um absurdo. O colégio tem que ensinar coisas legais, não isso que fizeram. E a prefeitura não pode dar esse tipo de autorização.’’
Saconatto diz que, ainda na segunda-feira, viu que havia espaço vago no trecho e por isso resolveu entrar assim mesmo, empurrando a manilha de proteção. Em seguida, ele conta, chegou uma pessoa do colégio e disse, de forma pouco educada, que o estacionamento a partir de então era do Estado e que somente professores e funcionários poderiam parar o carro ali. ‘‘Se é do Estado, então é meu também’’, respondeu o imobiliarista ao funcionário, sem tirar o carro do local. Ontem de manhã ele voltou a estacionar o carro no trecho, apesar das manilhas, mas desta vez não houve resistência.
O diretor-geral do IEEL, Walmor Carradore, conta que a decisão de fechar o recuo foi tomada porque professores reclamavam que quando chegavam para dar aulas não havia mais vagas para estacionamento. Por isso, ele diz, muitos acabavam deixando o automóvel no meio do asfalto, atrapalhando depois quem quisesse sair.
Antes de fechar o trecho, no entanto, Carradore afirma que procurou o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Lá teria conseguido documentação provando - segundo interpretação dele - que a área realmente faz parte do colégio. ‘‘Hoje (ontem) à tarde vou levar a planta para o Ippul para avaliar. Se pertencer mesmo ao colégio, vou fechar’’, afirma. ‘‘Mas se o Ippul disser para ficar aberto, fica aberto.’’
Walmor Carradore acrescenta ainda que nenhum funcionário foi agressivo ao tentar barrar a entrada de veículos estranhos ao colégio e que a própria Polícia Militar (PM) ajudou a colocar as manilhas na rua. O diretor técnico do Ippul, Juan Carlos Monastério, disse ontem que o Instituto somente vai tomar uma decisão depois que consultar o setor de cadastro da prefeitura, para avaliar se o trecho faz parte da Rua Brasil ou do colégio.

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