Especial para a Folha
Pessoas de 50 a 80 anos estão descobrindo que a informática pode mudar suas vidas. Cursos específicos para a terceira idade, como o do Serviço Nacional de Apredizagem Comercial (Senac) e o da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) têm formado verdadeiros entusiastas dos computadores. ‘‘Quem tem mais idade não deve ficar em casa esperando a morte. Minha avó costumava dizer que até no dia da morte a gente ainda pode aprender alguma coisa’’. Essas palavras são de Américo Marques Dias, de 81 anos. Ele acabou de ganhar um computador da filha e desde fevereiro frequenta o curso de informática para idosos do Senac, que mantém em Curitiba oito turmas com essa finalidade, atendendo um total de 96 alunos.
Segundo Maria Augusta Araújo, gerente da Unidade Maturidade e Qualidade de Vida do Senac, os cursos de informática são os mais procurados, o que demonstra o interesse dos idosos em aprender coisas novas. ‘‘Hoje em dia, até o palavreado está diferente em função da informatização. As pessoas que nos procuram têm o objetivo de suprir a necessidade de convívio social e aprender a dominar algo do qual estavam tão distantes’’, acredita Maria Augusta.
Ao contrário do que se pode pensar, os alunos de terceira idade aprendem rapidamente os comandos básicos para operar um computador e mantêm um entusiasmo crescente, à medida que o curso avança. ‘‘Eles estavam acostumados com a máquina de escrever. Quando conseguem formatar um texto em ‘Word’ apenas com um ou dois toques no teclado, ficam empolgadíssimos’’, afirma Cristiane Moreira, professora do curso de informática básica para a terceira idade da PUC-PR.
As pessoas que trabalham com os idosos são unânimes em afirmar que eles aprendem com mais facilidade do que os jovens, pois procuram os cursos por iniciativa própria e não por imposição dos pais ou do mercado de trabalho, como os mais jovens. ‘‘Dos 18 alunos que eu tinha, apenas uma moça desistiu, os outros, todos idosos, continuam’’, revela Cristiane.
Alguns até mesmo voltam a trabalhar, como é o caso de Zeide Belo Ferreira, de 54 anos, que estudou no Senac e, após alguns testes, está trabalhando em um colégio de Curitiba.
A maior dificuldade enfrentada pelos idosos no trato com o computador é o medo da máquina. A maioria receia fazer alguma coisa errada e perder os arquivos ou danificar o equipamento. ‘‘Mas isso não é exclusividade dos mais velhos. Qualquer um que não tenha intimidade com computadores passa pela mesma situação’’, diz Maria Augusta Araújo.

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