A Secretaria Municipal do Idoso vai pedir ao Conselho Municipal de DST (Doenças Sexualmente Transmitíveis)/Aids para que inclua os foliões da terceira idade nos grupos que irão receber preservativos durante o Carnaval. Na semana passada, em reunião realizada na Associação Comunitária dos Idosos de Londrina, na Vila Brasil (Área Central), a secretária Cristina Coelho deflagrou informalmente uma campanha de prevenção das DST e Aids junto a dezenas de idosos que pretendem participar de um dos blocos que abrirão os desfiles no Autódromo Internacional Ayrton Senna, no sábado de Carnaval.
Segundo a secretária, a falta de informação tem sido uma das principais causas do aumento nos índices de contágio. Cristina lembrou que o aumento da expectativa de vida e a melhoria da qualidade de vida na terceira idade contribuíram para que os idosos contraíssem mais estas doenças. ''Vamos iniciar esta campanha, mas sabemos que não será fácil. Além do Conselho, nossa intenção é trabalhar em parceria também com a Secretaria da Saúde e envolver organizações como a Alia (Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids)'', informou.
Entre os idosos, a maior resistência em usar preservativos vem dos homens. ''Este é um problema que não me preocupa, porque além de vivido eu sou muito cuidadoso na hora de escolher uma parceira. Só saio com mulheres que eu conheço e sei como vivem'', disse Fidelcino Sebastião de Souza, 60 anos, divorciado. Ele admitiu, porém, que tem medo de se infectar, porque sabe que a Aids mata. ''Já perdi vários amigos que contraíram a doença.''
Francisco Manoel de Oliveira, 78 anos, viúvo, também demonstrou resistência ao uso do preservativo. ''Nunca usei, e acho que nunca vou usar.'' Logo depois, porém, reconheceu que ''se precisar, pode ser que use.''
As mulheres pareceram mais receptivas à idéia, mas, na opinião da viúva Roseli Albertini da Silva, de 65 anos, ''a maioria não está muito preocupada''. Ela afirmou que está sempre atenta ao uso da camisinha e que cobra a mesma postura das amigas. ''Elas não sabem o risco que estão correndo'', comentou.
De acordo com dados do Programa Estadual de DST/Aids, por ano são registrados, em média, 20 novos casos de Aids no Paraná, na faixa dos 60 anos em diante. Este grupo é responsável, atualmente, por 277 casos registrados no Estado. Já na faixa que vai dos 55 aos 59 anos, são 891 casos. ''São dados muito preocupantes, ainda mais porque temos dificuldades para detectar a doença em um estágio em que ainda é possível tratar. A maioria dos casos nos chegam quando o óbito já foi registrado'', informou Wilza Regina Amaral Zenere, técnica de vigilância epidemiológica de DST/Aids do Programa.

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