Idosos sofrem com demora do atendimento na Saúde
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terça-feira, 09 de dezembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na sala de espera da Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, região central da Capital, mãe e filha aguardam a consulta com o especialista em Mal de Alzheimer. Abigail Barbosa da Silva, 77 anos, esperou um mês para que a consulta fosse agendada. Sua filha, que a acompanha na visita ao médico, conta que está há um ano e meio na fila para agendar uma ecocardiografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
"Enquanto a gente espera, sem o resultado do exame, só pode agravar a situação", reclama a filha de Abigail, Maria de Fátima da Silva Camargo, 56, sobre a demora em conseguir uma consulta com o especialista e a realização do exame.
A aposentada Sebastiana Rodrigues de França Marchesini, 67, aguardava a sua vez com um pouco mais de otimismo. Mesmo depois de quase dois meses de espera, ela se sente aliviada em agendar a consulta. "Dou graças que ainda consegui marcar. Não ia conseguir em outro lugar e sei que o tempo deles (dos agendamentos) demora porque tem muita consulta", afirma.
A responsável pelo apoio técnico da chefia da unidade, Marceli Fernanda da Costa da Silva, explica que a demora no agendamento de consultas é decorrente da grande procura pelos especialistas que atendem idosos. Na unidade são realizados aproximadamente 900 atendimentos por dia -entre jovens, adultos e idosos- e as especialidades mais procuradas pelas pessoas com mais de 60 anos e que apresentam maior demora para agendamento das consultas são ortopedia, cardiologia, dermatologia e neurologia. "A gente faz o que pode, depende da urgência do caso", afirma. De acordo com ela, os pacientes mais graves são encaminhados aos locais de atendimento especializado, onde são solicitadas vagas extras.
Abigail e Sebastiana, junto com os 155,5 mil idosos de Curitiba são o público-alvo de um projeto de lei municipal que pretende definir o prazo máximo de sete dias para o agendamento de consultas e exames para idosos no sistema público de saúde. O autor da proposta, vereador Jorge Bernardi (PDT) argumenta que a proposta é "consolidar a idéia do legislador federal ao implantar o Estatuto do Idoso, propiciando uma melhor qualidade de vida aos idosos do nosso município."
No texto em que apresenta o projeto, o vereador afirma que a demora no agendamento destes serviços coloca em risco a saúde dos usuários. A proposta define ainda penalidades previstas no Estatuto do Idoso e no Estatuto dos Servidores Públicos de Curitiba.
A diretora do Centro de Assistência à Saúde da Prefeitura Municipal de Curitiba, Ana Luiza Gondin, explica que a estrutura da saúde pública na Capital considera o estado de saúde do usuário, independente se criança, jovem, adulto ou idoso. "É analisado o risco, sem ligação direta com a idade. Não importa a idade, mas o estado de saúde", afirma.
Desta forma, os pacientes formam dois grupos de assistência, a de emergência ou a eletiva. Fazem parte do grupo de assistência eletiva os usuários que dependem da oferta das consultas especializadas e formam uma fila de espera. No caso da necessidade de atendimento imediato a estes pacientes, a consulta é priorizada (ele "passa na frente" dos pacientes que estão na fila e não correm riscos) ou é agendada uma consulta extra, mediante indicação de um médico. Já os pacientes de emergência recebem atendimento prioritário.
Ana Luiza ainda ressalta que o excesso de demanda para as consultas em especialidades é causada muitas vezes por problemas pontuais, que, depois de aliviados, não são levados adiante pelos pacientes. O município registra um índice de aproximadamente 30% de faltas às consultas. "A pessoa não vai, mas ocupou um espaço na fila e protelou quem estava precisando da consulta." Ela afirma que está em andamento um projeto de educação aos usuários do sistema de saúde. "O acesso a ação de saúde deve ser pautada pela necessidade, tem que ser vista com racionalidade. É preciso que se restrinja o acesso aos procedimentos com a real necessidade", diz.
O projeto de lei está em análise nas comissões permanentes da Câmara Municipal, em que vai receber um parecer que pode aprovar ou não a continuidade do trâmite da matéria. A aprovação da proposta pelas comissões pode liberá-la para ir ao plenário.


