Idosos sobrevivem em asilos precários
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terça-feira, 06 de março de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Um depósito de gente. Assim pode ser definida a situação encontrada pela reportagem da Folha em três abrigos para idosos de Londrina. Magros e com feridas pelo corpo, em uma das casas os idosos estavam descalços e amarrados em cadeiras. Nos quartos pequenos e mal arejados, é comum o odor de urina, denunciando a falta de higiene.
O chefe da Vigilância Sanitária (VS) de Londrina, Marcelo Viana de Castro, informou que não tinha conhecimento dos asilos da zona norte. Vamos averiguar a denúncia, afirmou Castro.
Sem conseguir autorização dos proprietários, a reportagem da Folha conseguiu entrar em alguns abrigos particulares sem se identificar. Num abrigo no conjunto Vivi Xavier (zona norte da cidade), a reportagem presenciou um quadro desolador. Numa casa pequena, 18 idosos vivem precariamente. Alguns ficam apenas de fralda e camiseta. Os alimentos são preparados em uma cozinha mal iluminada, que fica afastada do restante da casa. A limpeza precária estava mais evidente nos quartos, onde algumas mamadeiras estavam jogadas no chão.
Lídia de Souza, que se apresentou como a dona do estabelecimento, justificou a presença de idosos amarrados nas cadeiras. Segundo Lídia, a prática é necessária para evitar que eles caiam e se machuquem. Ela cobra mensalidade de R$ 250,00.
Na casa de Aparecida de Oliveira Pereira, no Conjunto Parigot 2, a equipe da Folha encontrou 10 idosos, todos de Londrina. Um dos quartos onde ficam duas senhoras tem a janela voltada diretamente para cozinha. Sobre a mesa e dentro da geladeira a comida é armazenada em panelas destampadas. Cachorros circulam livremente dentro da casa.
Quatro pessoas, entre elas uma auxiliar de enfermagem e de farmácia se revezam para tomar conta dos idosos, informou Aparecida Pereira. A proprietária disse que o abrigo não está legalizado mas aguarda uma vistoria dos Bombeiros. Dentro de dois dias toda a documentação estará pronta, garantiu. Com a família em São Paulo, Roque de Souza, 64 anos, disse que paga R$ 150,00 para morar na casa. Ele contou que faz hemodiálise uma vez por semana. Acho que aqui está bom para mim, disse.
Notificada há poucos dias pela Vigilância Sanitária (VS), por falta de condições higiênicas, uma casa de repouso na área central mantém 18 idosos. Maria Raimunda Gomes da Silva, a proprietária, alegou que a VS deu um prazo de 30 dias para que ela encontre um local mais apropriado. O único problema que temos é o local. Nossos pacientes são bem cuidados.


