Idosos se divertem em ritmo de Carnaval
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Idosos com idades entre 65 e 103 anos relembraram, nessa semana, os tempos áureos de Carnaval. Festas promovidas pela Linha do Lazer, iniciativa da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Curitiba, levantaram o astral dos idosos de asilos, albergues e casas de repouso, com o som das tradicionais marchinhas.
No Lar Rogate, no Bairro Tingui, 12 senhoras cantaram e dançaram animadas pelo professor de educação física Paulo Roberto da Silva e um grupo de estagiários. De acordo com Silva, o grupo, geralmente mais calmo durante as atividades físicas semanais, voltou a sorrir ao entrar no clima da Festa de Momo. ''Elas começaram a contar histórias dos Carnavais de sua juventude. Uma delas - a dona Maria de Miranda Braga, de 103 anos - quando se viu toda enfeitada comentou, enquanto eu fazia sua foto, que estava se sentindo uma rainha'', conta.
Dona Isolde Keinert, de 91 anos, lembrou da participação anual no Bloco dos Granadeiros, em Joinville, Santa Catarina, pelos anos 1930, quando ganhou um prêmio pela fantasia. ''Meu pai, que foi prefeito da cidade, era muito animado e sempre me levava aos bailes. Era uma festa bonita, com músicas lindas, tocadas por uma orquestra e todo mundo aprendia a cantar. Lembro também de passear de carro pela cidade, jogando confetes e serpentinas para as pessoas na rua'', rememora.
Isolde conta que paquera é o que não faltava no salão. ''Foi em uma quarta-feira de cinzas, em 1935, depois de muita paquera no baile, que comecei a namorar o meu futuro marido. Fomos casados por 25 anos. Brinquei o Carnaval por muitos anos depois de casada. Levava minhas três filhas vestidas de holandesa para a folia''.
Ao som das marchinhas
Segundo dona Zélia Thome Simião, de 83 anos, a folia em Ponta Grossa começava bem antes do feriado. Já nos ensaios pré-Carnaval do clube que frequentava, o grupo de amigos iniciava a brincadeira, animada pelas mesmas marchinhas que ainda tocam nas festas de hoje. ''Ninguém dançava sozinho. Fazíamos uma grande roda, todos de mãos dadas, íamos para frente e para trás'', relembra.
Nessa época, ela conta que já namorava ''firme'' com o seu futuro marido, mas todo mundo se divertia junto, em família. Zélia, que diz gostar de acompanhar os desfiles das escolas de samba, era uma das mais empolgadas na festa carnavalesca. ''Valeu a pena'', confessa.


