Giovani Ferreira
De Curitiba
Vítimas de um crescente processo de discriminação social, os idosos estão cada vez mais frágeis e vulneráveis a problemas familiares, econômicos e sociais. Eles também não escapam da violência urbana, onde são vistos como ‘‘presa’’ fácil por menores infratores e desocupados que praticam furtos em praças, parques e outros locais públicos que a terceira idade costuma frequentar em busca de momentos de lazer.
Somente em Curitiba, a comunidade idosa, com mais de 65 anos, soma 125 mil pessoas. Não existem números oficiais e específicos de ações ilícitas raticadas contra idosos. Algumas referências fornecidas pelas delegacias de Estelionato e de Furtos e Roubos servem para dar uma idéia dos inúmeros crimes, das mais diversas naturezas, cometidos com frequência contra pessoas idosas.
A maioria dos casos está relacionada com a aplicação de golpes, onde os idosos acabam ludibriados por estelionatários. Segundo o delegado Luiz Gilmar da Silva, da Delegacia de Estelionato, a situação mais comum é a do golpe do bilhete. Nesse caso o idoso é abordado e muitas vezes convencido a comprar um bilhete que, teoricamente, estaria premiado. Também são comuns golpes como o da aposentadoria e da promessa de emprego, onde a pessoa acaba pagando uma taxa antecipada para obter um benefício que não existe. Todos os dias pelo menos dois idosos procuram a delegacia relatando que foram vítimas de algum tipo de golpe.
Na Delegacia de Furtos e Roubos as queixas são contra os ‘‘punguistas’’, que são os batedores de carteira, e os chamados ‘‘cavalo-loco’’, que roubam bolsas ou sacolas das mãos de pessoas que estão transitando pelas ruas. O delegado-adjunto da Furtos e Roubos, Estélio Machado, disse que os idosos são os preferidos nesse tipo de golpe, porque não maioria das vezes eles não têm reflexo e nenhum poder de reação contra o marginal.
O aposentado Francisco Cardoso, 72 anos, já foi assaltado e disse que os idosos precisam tomar muito cuidado quando saem em Curitiba. ‘‘Não dá para dar moleza, é preciso ficar sempre atento’’, disse Cardoso, entendendo que os idosos não têm mais sossego para passear ou conversar com um amigo em lugares públicos. Pela experiência de Cardoso, que há anos frequênta a Praça Tiradentes, centro da cidade, os marginais costumam agir principalmente no final da tarde e início da noite. De acordo com o aposentado, a maior parte dos assaltantes é menor, que pratica os furtos em grupo.
Germano Viecelli, 76 anos, disse que nunca foi assaltado, mas anda sempre alerta e cuidadoso quando está na área central. Recomenda que o dinheiro esteja sempre bem escondido e nunca em carteiras, bolsos de casacos ou locais que facilitem a ação dos punguistas. Outra recomendação importante, é que os idosos procurem não andar sozinhos.

mockup