Idosos são excluídos no tratamento
Pacientes com mais de 65 anos têm dificuldades para conseguir o Interferon Alfa – medicamento usado no tratamento da hepatite C – através do Estado. A idade é um dos critérios de exclusão no protocolo de Utilização de Medicamentos Excepcionais da Secretaria de Saúde do Paraná.
O diretor clínico do Hospital Universitário de Londrina, Sílvio Villari Filho, nega a existência de preconceito contra os idosos. Ele enfatizou que todos os cidadãos têm direito à saúde e tratamento no País. ‘‘Isto é um direito constitucional’’, advertiu.
Villari também acredita que haja problemas de notificação do Estado junto ao Ministério da Saúde. ‘‘Sem saber ao certo quantos pacientes temos no Paraná, o Ministério não tem como liberar a quantidade necessária de medicação’’, afirmou o diretor clínico do HU.
A chefe da Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar), Lore Lamb, argumentou que o critério de idade é técnico. Os pacientes com menos de 15 anos também constam nos critérios de exclusão do protocolo do Estado.
O protocolo nacional está ‘‘saindo do forno’’ agora e deve trazer critérios semelhantes aos do Paraná. ‘‘Não estamos discriminando ninguém. Levamos em consideração a relação custo-benefício dos pacientes’’, afirmou a assessora do departamento de assistência do serviço de saúde da secretaria de saúde do Ministério, Rosana Nothen, de Brasília. ‘‘Como a maioria dos pacientes com 65 anos nãa está em boas condições clínicas, não vale a pena submetê-los aos riscos das drogas usadas no tratamento da hepatite C, que tem uma evolução lenta’’.
Brevemente, o protocolo nacional deve vigorar em todo o País servindo de base aos protocolos estaduais, segundo ela. Rosana explicou que os critérios de exclusão do protocolo nacional foram definidos em um encontro ocorrido na França, no ano passado, que reuniu hepatolologistas de várias partes do mundo. ‘‘Os critérios são consenso em todo o mundo’’.
No protocolo nacional, a exclusão atinge também menores de 12 anos: ‘‘O critério para a admissão das crianças ao tratamento é ainda mais rígido’’, afirmou ela, destacando que existem casos expecionais que são avaliados à parte. (C.L.)

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