Idosos são desrespeitados nos ônibus
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sexta-feira, 01 de outubro de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
O direito está previsto em lei, o adesivo colado no vidro é de tamanho bem visível. Mesmo assim, entrar no ônibus urbano e ocupar os assentos destinados aos idosos é rotina. Muitos garantem que, se verem uma pessoa de idade entrando no veículo, sairão imediatamente do lugar. Mas na prática nem sempre é assim.
''Alguns rapazes chegam a fingir que estão dormindo para não se levantar. Uma vez pedi a uma moça que saísse para eu sentar e ela se recusou, dizendo que era para eu ir em pé mesmo. As pessoas não ligam para a idade da gente'', queixa-se Vidência Bertolucci Pinto, 74 anos, lembrando que, muitas vezes, os quatro lugares reservados para as pessoas com mais de 60 anos não são suficientes.
Zelinda Comazzi Vieira, 75 anos, diz que já está acostumada enfrentar este tipo de situação. ''Já aconteceu diversas vezes. Ontem mesmo tinha uma mulher que, nem me vendo de bengala na mão, cedeu o lugar. Eu fui obrigada a fazer o trajeto em pé.'' Receosas da reação dos mais jovens, pessoas como a dona Zelinda dificilmente impõem seus direitos à força, e a falta de respeito vira regra.
''Se chegar um idoso eu levanto e saio'', garantiu a representante comercial Vânia Cavalcanti, de 22 anos, na tarde da última quinta-feira, logo depois de entrar apressada no ônibus que faz a linha 903 e ir direto para um dos assentos reservados à terceira idade. A jovem afirmou ainda que sempre dá lugar aos mais velhos, mesmo não esteja ocupando banco preferencial.
Para a secretária do Idoso, Genilda Stábile, o problema todo se resume na falta de educação. ''Está na hora da população se conscientizar. Muitos dizem que se recusam a dar lugar para outra pessoa que está saindo para passear ou dançar, mas esquecem que este idoso já trabalhou uma vida inteira, e que ter um lugar reservado é um direito dele.''
Genilda lembra que os idosos de hoje não aprenderam a lutar por seus direitos quando mais jovens, por isso muitos não têm coragem de brigar por seus direitos. ''Alguns, inclusive, têm vergonha de mostrar o documento para entrar sem pagar nos ônibus.'' A secretária argumenta, porém, que mudar a mentalidade das pessoas não é um processo que acontece da noite para o dia. ''Os pais e educadores devem ensinar as crianças de hoje para que no futuro isto não continue acontecendo.''


