Idosos resgatam a autoestima
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sábado, 01 de novembro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina "Esqueci o feijão no fogo e fui para Ibiporã. Quando voltei, a panela tinha explodido e estava uma fumaceira só. Tudo preto. O feijão ficou mais seco que café torrado", contou José Maria dos Santos durante a reunião semanal do grupo de terapia comunitária do Conjunto Vivi Xavier, na zona norte de Londrina. A experiência misturada ao bom humor do aposentado despertou risos. Muitos se identificaram com a situação e, a partir daí, decidiram participar e falar sobre o dia a dia.
No salão da Paróquia São Judas Tadeu, cerca de 50 pessoas acima dos 60 anos se cumprimentaram, se abraçaram e se fortaleceram para os obstáculos de uma vida mais madura. Em grupos mantidos por profissionais da prefeitura, eles encontram apoio e se solidarizam com as dificuldades. A caminhada exige um esforço maior e a timidez, em alguns casos, esconde o medo de enfrentar novas dores.
Santos tem 71 anos e participa do grupo há seis meses. "Eu tinha dores nos joelhos e obesidade e hoje estou bem melhor. Meu senso de humor também aumentou", disse animado. O aposentado já foi cantor e radialista e hoje continua na ativa planejando viagens e passeios. "A receita para viver bem é procurar boas amizades, dançar nos bailes, fazer alongamento, viver bem com os vizinhos, dormir bem, não beber e não fumar. Quero chegar até os 150 anos", afirmou otimista.
A aposentada Maria Ferreira é exemplo para ele. Ela completou 100 anos com muita disposição. Tímida, dona Maria falou rapidamente sobre a antiga rotina de trabalho. Durante muitos anos, a mãe de sete filhos foi merendeira na cidade de Assaí e acompanhou o crescimento de centenas de crianças. "Com alegria e muito trabalho, a gente vai longe, filha", resumiu Maria.
O encontro semanal para troca de experiências é uma medida simples que foi adotada pelo psiquiatra Adalberto Barreto, em uma comunidade do Ceará na década de 1980. Segundo a coordenadora da Terapia Comunitária em Londrina, Jucelei Pascoal Boaretto, o médico percebeu que as pessoas o procuravam, mas nem tudo precisava ser medicado.
"Eles precisam ser acolhidos e ouvidos. Nos grupos da terapia, você resgata a autoestima das pessoas através da comunidade. É diferente. Se a gente der conselhos para evitar que os idosos caiam dentro de casa, por exemplo, nem todos vão seguir. Agora, quando outras pessoas relatam que caíram e dizem o que passaram a fazer para evitar novos acidentes, essa experiência conta mais", explicou a coordenadora.
A terapia comunitária é oferecida pela rede municipal de Saúde desde 2002. Discussões temáticas, dinâmicas em grupo e músicas animam os encontros. Na manhã de quinta-feira, o bate-papo foi encerrado com um grande abraço coletivo para diminuir o estresse e aumentar o bom humor.
A aposentada Maria da Silva Gomes, de 76 anos, participou do grupo pela primeira vez e adorou a experiência. "Fazia tempo que eu não ganhava um abraço. Estou muito feliz, graças a Deus!", disse sorrindo.


