A gerência de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde informou ontem à tarde que recebeu outras nove confirmações de casos de dengue em Londrina de internos do Hospital Universitário (HU) e de laboratórios particulares, além dos 65 informados ontem pela Folha. Com isso, sobe para 436 o total de casos no município desde o início de 2003, número de confirmações idêntico ao de todo o ano passado.
A Secretaria também está apurando a procedência de cinco casos, que podem ser de Londrina ou de outras cidades da região. As unidades de saúde da cidade registraram 1.690 notificações de suspeitas da doença até a tarde de ontem. No mapeamento das confirmações, a zona leste apresenta 347 casos (80% do total), a oeste registra 53 (12%), a norte 17 (4%), o centro tem dez (2%) e a zona sul nove casos (2%).
Ontem à tarde, lideranças de 80 grupos da terceira idade de Londrina participaram de uma reunião na sede da Associação dos Professores do Paraná (APP), na Avenida Juscelino Kubitschek, para discutir ações de combate à dengue em suas áreas de atuação. No encontro, organizado pela Secretaria Municipal do Idoso, foi apresentada a idéia de uma corrente, a ser realizada pelos quase 7 mil idosos de todos os grupos em seus bairros eles dariam dicas sobre como evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, para os moradores do imóvel em frente à sua casa e para seus dois vizinhos do lado.
''Além disso, cada grupo definirá outras ações. Esta participação no combate à doença é importante, porque os idosos estão cada vez mais inseridos em processos de socialização, e este (a dengue) é um problema que exige um esforço de todo cidadão. E o idoso também tem uma responsabilidade extra, por ter um acúmulo de experiência e confiabilidade em seu meio social'', explica Maria Ângela Santini, secretária do Idoso.
Diva da Silva, 66 anos, representante do grupo da terceira idade do Conjunto Vivi Xavier (zona norte), explica que os idosos do bairro sempre comentam sobre a dengue em seus encontros. ''Todos participam e sabem como evitar a doença. Começamos a tomar medidas sobre a dengue há uns anos, relaxamos um pouco e o bairro voltou a ficar sujo. Hoje, está tudo certo. Esse trabalho tem que ser contínuo. Felizmente, nunca soube de nenhum caso de dengue no Vivi Xavier'', explica.
Alaíde Fausta dos Santos Francisco, 64 anos, líder do grupo do Jardim Maracanã (zona leste), diz que seu bairro não tem a mesma sorte. ''Soube de duas pessoas contaminadas e uma aluna minha está com suspeita da doença. O Maracanã é um bairro muito pobre e discriminado. Tem muita sujeira e as ruas são de barro. Vamos fazer nossa parte. A prefeitura está ajudando, mas podia fazer mais e a gente mesmo precisa se ajudar'', resume a idosa.