Do alto de seus 80 anos, o aposentado Manoel Leme da Veiga diz que tem só um problema de memória: ele não se lembra de os idosos de seu tempo sofrerem qualquer tipo de discrinação pelos mais novos; pelo contrário. ''Antes, a gente pedia a bênção e beijava a mão deles'', conta.
Descontente com o que ele chama de falta de respeito e que o Estatuto do Idoso, em várias passagens, chama de discriminação , seu Manoel confessa que anda até feliz nos últimos dias. Grande parte dessa alegria, ele garante, vem da possibilidade de poder visitar o filho em Santa Catarina, com a gratuidade da passagem. Mesmo assim, ele garante que não se sente assim tão mais velho: ''Só me sinto velho quando me olho no espelho'', ri, dizendo ter se casado nada menos que oito vezes.
Em situação diferente, a cozinheira Maria Liberato Nunes, de 64 anos, lembra com tristeza dos quatro meses em que ficou procurando emprego e que, pela idade, encontrou a negativa muitas vezes estampada na desculpa dos possíveis empregadores. Hoje, ela assegura, não restam mais mágoas. ''Batalhei e conquistei a única vaga que havia em uma churrascaria'', aponta.
Por sua vez, o casal Sebastião Domingues, 73, e Jesus Conceição da Silva Arruda, 78, desconhecia a existência do Estatuto, mas estranhava ter de pagar a passagem integral para fora do Estado. ''Agora sim dá para eu visitar meu filho em Itajaí (SC). Faz dois anos que não o vejo; também, ganhando menos de dois salários por mês, nem teria como'', justifica ele, otimista. ''Acho que as coisas vão melhorar, mas falta mais respeito com o idoso. Cansei de ser humilhado só ao pedir uma simples informação. Por acaso os mais novos hoje não serão os velhos de amanhã?'', indaga.

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