Idosos praticam o esporte da longevidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Rolândia - Cerca de 100 idosos acordaram cedo no último domingo para participar, na sede da Aliança Cultural Brasil-Japão, em Rolândia (Norte), do 7º Campeonato Paranaense de Idosos de Gate Ball para atletas acima de 70 anos. A competição, que integra o calendário de comemorações dos 100 anos da imigração japonesa - Imin 100 - começou às 8 horas e terminou no meio da tarde. Diante da disposição e do bom humor dos participantes (alguns com mais de 90 anos), não era difícil perceber por que o esporte se tornou o preferido entre os descendentes orientais com idades acima de 50 anos.
Trabalhar a mente e não deixar o corpo ''enferrujar''. Estes são os principais benefícios ressaltados por 10 entre 10 adeptos do esporte, que nasceu na província de Hokkaido, no Japão, e é praticado no Brasil há cerca de 30 anos. Um misto de golfe, críquete e sinuca no solo, a modalidade não exige grande esforço físico, mas depende de raciocínio e controle mental. Não à toa, o gate ball é considerado o esporte da longevidade.
''Eu treino quase todos os dias, e quando não vou sinto falta'', revela o comerciante aposentado Antonio Ito, 85 anos, de Maringá. Ele conta que pratica o esporte há uns 30 anos, desde que a idade o fez deixar o beisebol. ''A gente tem que manter uma atividade para preservar nossa saúde. Vale a pena'', ensina o atleta, que é capitão de sua equipe. ''No gate ball a gente usa muito a cabeça, e isso é importante para não caducar'', ensina o experiente atleta, que garante: ''Vou jogar até quando puder e o corpo aceitar''.
Dona Jin Aguma, de 94 anos, de Assaí, sabe que muito de seu bem-estar depende dos cálculos e dos movimentos exigidos pela modalidade. Falando quase nada em português, ela mostrou com gestos alternados entre a cabeça e as pernas o principal motivo de estar ali.
''Graças a este esporte este pessoal se mantém ativo. Antes, eles ficavam confinados em casa'', afirma o diretor administrativo e presidente de honra da Aliança, Paulo Maeda. Ele revela que no Paraná o esporte é muito difundido entre a comunidade da terceira idade, mas que em estados como São Paulo também os jovens participam. ''Há casos em que a família participa unida.''
O Estádio Teisako Numata, que fica na sede da Aliança Brasil-Japão, conta com 24 campos e é o maior do Brasil, segundo Kenji Ueta, vice-presidente da Confederação Brasileira de Gate Ball. No final de semana, um terço dos campos era utilizado para o campeonato. ''No Japão, se descobriu que depois da difusão do esporte, o consumo de remédios oferecidos pelo governo caiu em 40%. Hoje em dia há praticantes no mundo todo'', diz Ueta.
O jogo
A partida dura no máximo 30 minutos e é disputada por duas equipes, cada uma com cinco jogadores. Cada atleta possui sua bola correspondente ao número do zakken (de identificação) e joga em ordem numérica. O objetivo é fazer o maior número de pontos ou atingir o máximo de 25. Para isso, cada jogador precisa passar por três gates - uma espécie de gol - na ordem, no sentido anti-horário, até chegarem no pino central, chamado de goal pole. Cada um dos gates vale um ponto e o goal pole equivale a dois pontos. Assim, cada jogador pode chegar aos cinco pontos e a equipe até os 25.
Como é uma disputa, o jogo não se limita apenas em acertar os gates. Os times armam estratégias para marcar mais pontos que a equipe adversária. Para controlar o tempo de jogo e a pontuação, os jogadores utilizam um timer no pulso, que pode ser artesanal, feito em madeira, ou digital. A cor branca predomina na indumentária e todos, em uma visível preocupação com a saúde e bem-estar, usam chapéus ou bonés. Cada participante deve ter o seu próprio taco, feito em metal e madeira, que pode custar até R$ 850,00.


