Guilherme Pupo

Jonas OliveiraAnimação é o que não falta para os 500 idosos do bloco Rancho das Flores‘‘Se Deus fez coisa melhor, escondeu de nós’’, declara o entusiasmado mestre-sala e pedreiro aposentado de 65 anos, entre um e outro passo de samba no ginásio de esportes utilizado para o ensaio. O carnaval de rua curitibano já foi rotulado como um dos mais desanimados do País mas, para os cerca de 500 integrantes do bloco ‘‘Rancho das Flores’’, a festa é imperdível.
O grupo, formado por ‘‘jovens’’ acima dos 55 anos de idade, vai desfilar este ano pela nona vez consecutiva na avenida Marechal Deodoro, abrindo o desfile das escolas de samba. Desta vez, o tema será ‘‘O Sol e a Lua, Eternos Namorados’’.
Leonir Lucinda dos Santos, 63 anos, que vai representar a lua em um carro alegórico, é um exemplo da empolgação que toma conta do grupo. ‘‘Quando terminou o Natal, já começo a pensar no carnaval’’, comenta. Para ela, o desfile funciona como uma terapia. ‘‘Minha cabeça fica outra e descontraio. Tenho muito fôlego e vou longe enquanto tiver vida’’, disse a enfermeira aposentada que tem quatro filhos, 14 netos e nove bisnetos.
Os carnavalescos do ‘‘Rancho das Flores’’ já estão afinados com as coreografias e o samba-enredo, que inclui marchas tradicionais (como ‘‘Abre Alas’’ e ‘‘As Pastorinhas’’) e o hino do bloco, que inclui o verso ‘‘Lá vem ela, a vovó na passarela, doce poema de amor, um buquê de flor em aquarela’’.
‘‘Já trabalhamos bastante e agora podemos dançar. Sabemos aproveitar a vida, sem esbanjar na saúde’’, disse Elias Mokdesz Filho. Ele vai desfilar pela sétima vez e quer continuar, ‘‘no mínimo, por mais 15 anos’’.
Os ensaios estão sendo realizados nas Ruas da Cidadania e o bloco faz parte do programa da terceira idade mantido pela Fundação de Ação Social (FAS) da prefeitura. Os desfiles acontecem nos dias 21 e 22 de fevereiro, a partir das 20 horas.

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