Desde segunda-feira, centenas de pessoas têm procurado a prefeitura de Londrina para pedir a isenção do pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Na maioria são aposentados e viúvas que ganham pouco e têm apenas um imóvel. ‘‘Ganho apenas dois salários e vou pagar R$ 347,00. Sempre fui isento. Com 71 anos de idade, o que é que eu vou esperar daqui para frente’’, desabafou Aquiles Romagnolli, morador do Jardim Bancários, zona oeste de Londrina.
Além da bronca em ter que pagar o imposto, os aposentados são obrigados a enfrentar pelo menos três filas diferentes no piso térreo da prefeitura: a primeira para solicitar a isenção e fazer o cadastro social; a segunda para conferir se o imóvel está em situação regular; e, por último, outra fila para protocolar o pedido de isenção. A resposta da prefeitura chega em casa, via correio.
‘‘Como é que eu vou pagar se não ganho nem para comprar remédio’’, quis saber o aposentado Antônio Carlos Lovisão, 49 anos, e que recebe R$ 130,00 por mês. No carnê, a dívida do imposto é de R$ 195,80. ‘‘Vim para cá para ver se consigo a isenção. Ano passado não precisei pagar.’’
Mario CesarRevoltaJadir Oliveira: ‘‘O que eu vou fazer? Vou para debaixo da ponte?’’Outra que estava revoltada na fila era a aposentada Jadir Oliveira da Silva, 66 anos, e que também ganha R$ 130,00 por mês. O imposto da casa que mora no Jardim das Indústrias, no entanto, custa R$ 407,10. ‘‘Sou desquitada, meu filho que me ajudava morreu na semana passada. O que é que eu vou fazer? Vou para debaixo da ponte? Não, não vou pagar!’’, desabafou.
Acompanhado da filha Maria Lúcia Trevisan Souza, o aposentado Pedro Trevisan, 70 anos, lembra que ganhou isenção durante dois anos consecutivos e, desta vez, teve uma surpresa nada agradável quando viu o carnê do imposto debaixo da porta. Ele ganha R$ 130,00 e o valor do imposto é de R$ 257,10. ‘‘Sou aposentado, estou doente. Moro numa casa de madeira, no Jardim Bandeirantes. Se não isentar, não vou pagar’’, garantia.

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