Idosos e desemprego no Brasil 2000
Gabriela Morales
Agência Estado.
O envelhecimento progressivo da população e a forte concentração de habitantes nas áreas urbanas, com o consequente aumento do desemprego, são os maiores desafios que aguardam o Brasil no ano 2000, de acordo com alguns cenários preparados por pesquisadores como os professores Gilberto Dupas, Gilda Collet Bruna e Jacques Marcovitch. Estimativas feitas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que o País terá 34 milhões de idosos em 2005, contra os atuais 16 milhões. Será a sexta população mais idosa do mundo.
O maior problema, segundo projeções e levantamentos feitos ao longo dos anos 90, é que o Brasil não está preparado para essa situação. Por absoluta necessidade, mais de 40% da população continua trabalhando depois dos 60 anos, aumentando as dificuldades para o ingresso dos jovens no mercado de trabalho.
A distribuição da população, principalmente nas regiões urbanas, e a maneira como as cidades vão crescer são outros ítens vistos com certa preocupação pelas autoridades do setor. Um estudo feito a pedido da ONU (Organização das Nações Unidas), coordenado pela professora Gilda Collet Bruna, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, informa que a concentração da população nas áreas urbanas começou nos anos 50, junto com a industrialização do País, e se intensificou até os anos 70, quando passaram a ser detectadas algumas mudanças, principalmente em função de um aumento da preocupação com as questões ambientais e a consequente adoção de leis destinadas a disciplinar o uso do solo.
Com isso, muitas indústrias deixaram as grandes metrópoles para se instalar em seus arredores. Em seu estudo, Gilda observa que essa mudança passou a ser comprovada desde o começo dos anos 90, e citou como exemplos os casos do Vale do Paraíba, Campinas e Sorocaba, no Estado de São Paulo. Pelas suas previsões, a tendência nas grandes cidades é a de concentrar cada vez mais o setor de serviços. E, como o crescente desemprego facilita o aumento do trabalho informal - tema de um trabalho que está sendo desenvolvido pelo professor Gilberto Dupas - o governo tem um componente a mais para tentar solucionar no próximo século.
DECORRÊNCIA
Não há um futuro fatalista. O futuro do País está nas mãos de quem toma as decisões hoje, da geração atual. O futuro é decorrência, afirma Jacques Marcovitch, do Instituto de Estudos Avançados da USP, autor do trabalho A formulação de uma estratégia tecnológica e empresarial.
Tanto ele como o professor Eduardo Vasconcellos, autor de uma pesquisa intitulada Política industrial e tecnológica para o setor de instrumentação e automação, prevêem que a tecnologia passará a ser encarada cada vez mais como instrumento de competitividade, no ano 2000, e que a relação com os fornecedores também deverá sofrer mudanças. As associações passarão a ser comuns e haverá uniões até entre concorrentes como já vem ocorrendo , afirma Vasconcellos. Para sobreviverem, as empresas terão de estar ajustadas às exigências da sociedade, que serão cada vez maiores.
Foi exatamente essa preocupação com as exigências da sociedade que levou o Departamento de Marketing da Rhodia a encomendar uma pesquisa junto à USP, em 1991, tentando antecipar o perfil do cidadão brasileiro no ano 2000. Esse trabalho indicou que o brasileiro da virada do século estará mais preocupado com a prevenção das doenças do que com a cura. E estará disposto a pagar mais caro pelos produtos não poluentes, em nome de uma qualidade de vida melhor.
Na parte referente ao trabalho, a pesquisa que volta a ser debatida agora mostra que haverá um interesse cada vez maior pela autonomia e liberdade, em matéria de tarefas e horários. O brasileiro do ano 2000 também se empenhará mais para conseguir mais liberdade dentro da família, aponta ainda o estudo da Rhodia.
Se essa liberdade também será alcançada dentro da família, só o futuro dirá. A verdade, segundo os pesquisadores, é que será preciso dedicar uma atenção muito especial aos velhos do ano 2000, que se sentirão muito solitários. Diante das dificuldades econômicas, muitas mulheres que cuidavam dos idosos, em casa, passaram a trabalhar em boa parte dos casos, engrossando a economia informal, que não rende impostos ao governo.





