Os brasileiros estão vivendo cada vez mais - as mulheres sete anos em média a mais que os homens -, num País ainda dividido pela desigualdade social, que se reflete em cheio na vida dos idosos. A média de vida aumentou de 66,4 anos, em 1992, para 67,8 anos, em 1997. As mulheres vivem, em média,71,7 anos, e os homens, 64,1. Os 704 mil idosos do Paraná são um exemplo claro. Do total, quase a metade (41.3%) ganha menos ou até um salário mínimo de renda familiar; 38.3% ganham de um a três salários mínimos, e 18.3%, mais de três - outros 2.1 % não declararam renda ou não têm rendimento.
Os dados fazem parte das conclusões da ‘‘Síntese de Indicadores Sociais’’, divulgada anteontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a socióloga Maria Isabel Coelho Alves, do Departamento de População e Indicadores Sociais do IBGE, o caso paranaense reflete o que ocorre no restante do Brasil. ‘‘A população idosa é muito diferenciada, desigual’’, afirma. Conforme ela, ao mesmo tempo que se percebe idosos em boa situação financeira, tem-se outros à míngua. ‘‘Como os que morrem de diarréia infecciosa, como aconteceu na Clínica Santa Genovena (no Rio de Janeiro).’’
O estudo mostra que em regiões como o Nordeste a situação é ainda pior. Lá, 63% do idosos ganham menos de um salário. O Sudeste, porém, tem a melhor média: 28.1% ganha até um salário. O Estado de São Paulo tem o melhor desempenho - apenas 21.4% ganham até um salário. No Paraná, somente a Região Metropolitana de Curitiba tem taxas melhores: Do total dos idosos, só 20.7% recebe até um salário.
O estudo mostra ainda que, tanto no Estado quanto no País, as mulheres vivem, em média, sete anos a mais que os homens. Isso ocorre, segundo Isabel, porque ao longo da vida os homens estão mais expostos a fatores de risco, como fumo, acidentes de trabalho, acidentes de trânsito, suicídios e homicídios. A socióloga afirma que esses fatores, em conjunto, são quatro vezes mais frequentes para os homens do que para mulheres. Outro fator apontado por ela é a diferença no consumo do tabaco e álcool, causas de doenças do coração e câncer.
A pesquisa mostra ainda que entre jovens de 15 a 19 os homicídios acontecem oito vezes mais em homens. O estudo mostra, por exemplo, que em 1996 ocorreram 47.6 assassinatos de homens para cada 100 mil habitantes. Já de mulheres foram 6.1 para cada 100 mil mulheres. ‘‘Isso demonstra que é um fenômeno masculino, que tem impacto na velhice’’, diz Maria Isabel.
Mas a mudança do papel da mulher na sociedade e o ingresso no mercado de trabalho pode mudar a tendência. Segundo Isabel, estudos recentes mostram que o aumento do estresse pode levar a mulher a viver menos. Atualmente, segundo a pesquisa, 1.852.723 mulheres trabalham no Paraná, que tem 4.632.856 pessoas economicamente ativas. Do total, 1.998.771 estão empregadas. Destes, 70.4% são homens e 29.6% são mulheres.

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