Idosos de asilo são levados para Rio Bom
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terça-feira, 27 de março de 2001
Maurício BorgesEnviado a Rio Bom 
O asilo clandestino que funcionava na Rua Via Láctea, Jardim do Sol, zona oeste de Londrina, fechou suas portas no domingo e, anteontem, já estava funcionando em Rio Bom (28 km ao sul de Apucarana). Na sexta-feira, conforme decisão da Vigilância Sanitária de Londrina, o asilo seria interditado e multado em R$ 15 mil por falta de condições higiênico-sanitárias, além de maus-tratos aos internos, denunciados por eles próprios.
A Folha esteve ontem no local e confirmou que a enfermeira Maria Aparecida Walter, mais conhecida por Dona Cida, instalou seu asilo particular numa casa recém-alugada, na Avenida Rio Grande do Sul, em Rio Bom. Na residência, de madeira e com estrutura bastante precária, já estavam alojados cinco idosos, sendo quatro homens e uma mulher, com problemas físicos.
Uma funcionária, identificada apenas por Cristiane, explicou que a mudança e os idosos vieram de Londrina no domingo, por que lá, a saúde não queria conceder alvará para funcionamento do asilo. Segundo ela, dos 15 internos que haviam em Londrina, apenas cinco foram levados para Rio Bom. O restante ficou por lá, com a sócia da Dona Cida, revelou a moça.
O secretário municipal de Saúde de Rio Bom, José Benedito de Andrade, disse ontem que não tinha conhecimento da situação irregular do asilo da enfermeira Maria Aparecida Walter, em Londrina. Ela é nossa enfermeira-padrão no Hospital Municipal e uma das responsáveis pelo Programa Saúde da Família. Sabíamos apenas que veio com a mudança para cá, trazendo seu filho, amigas e quatro idosos que fazem parte da família, declarou Andrade.
Ele garantiu que a situação será verificada pela prefeitura, através da saúde pública local mas, antecipadamente, anunciou que conhece a casa onde os idosos foram alojados e que o local não tem as mínimas condições para funcionar como um asilo.
Na Prefeitura de Rio Bom, o chefe de gabinete do prefeito Moisés José Andrade, Virgílio Primon, informou que não foi dada entrada em qualquer processo para instalação de asilo na cidade. Não existe alvará e nem licença sanitária para funcionamente de um asilo nesta casa, comentou Primon, garantindo que as providências cabíveis nesta situação serão adotadas de imediato.
A enfermeira Maria Aparecida Walter, que passou por teste seletivo promovido pelo município e que está trabalhando na cidade há 10 meses, não foi encontrada ontem. Pela manhã ela participou de uma reunião na 16ª Regional de Saúde, em Apucarana, e à tarde, fez visitas domiciliares do Programa Saúde da Família. Ela não retornou as ligações da Folha, feitas para o Hospital Municipal de Rio Bom.


