Uma pequena dívida tributária com a Prefeitura de Londrina pode levar as casas de dois idosos a leilão. O pioneiro Walter Bassetti Lirola, 75 anos, deixou de pagar, em 1995, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e acumula uma dívida de R$ 148,62. Já o deficiente visual Francisco Barreto, 63 anos, mantém uma pendência de R$ 754,58, por não pagar o mesmo imposto entre 1996 e 2001. Outra semelhança entre os idosos é que ambos dependem de um auxílio no valor de R$ 240,00 para sobreviverem com suas famílias.
Nos dois casos, a Procuradoria Jurídica do Município ingressou com ações de Execução Fiscal, solicitando a penhora dos imóveis. A Justiça já determinou que um oficial realize a avaliação do imóvel de Lirola. O próximo passo, após a avaliação, será marcar a data da venda pública.
Lirola chegou em Londrina no dia 3 de janeiro de 1940. Trabalhou por quase duas décadas como gerente de uma transportadora da própria família e depois outros 22 anos como corretor de café. O idoso reclamou que passa por dificuldades financeiras desde que o ex-presidente Fernando Collor de Mello confiscou seu dinheiro, que estava depositado na poupança. ''Eu já fui muito rico nessa vida, mas o governo me tirou tudo. Se eles me devolvessem, não estaria nessa situação'', lamentou.
Lirola acrescentou que outro problema é que ainda não conseguiu se aposentar, mesmo após contribuir por 43 anos com a Previdência Social. A única fonte de renda dele e da mulher Odete, 69 anos, são os R$ 240,00, que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), paga como auxílio ao idoso. ''Quando as coisas apertam um pouco mais, minha mulher tem que trabalhar como zeladora para ganhar uns trocados'', afirmou.
Emocionado, Lirola disse que não está devendo ao município porque quer, mas por não ter condições de pagar a dívida. Segundo ele, o dinheiro que recebe é destinado a alimentação e medicamentos. Ele adiantou que não vai permitir que tirem o imóvel, uma casa popular no Jardim Paraíso (zona norte). ''Ao invés de ameaçarem tirar minha casa, eles (prefeitura) deveriam cobrar o dinheiro que foi roubado pelos políticos'', esbravejou.
Situação muita parecida é vivida por Francisco Barreto que, aos 63 anos, está praticamente cego, em decorrência de uma atrofia no nervo óptico. O problema lhe deixou com somente 7% de visão no olho esquerdo. Ele também não conseguiu se aposentar, desde que foi obrigado a parar de trabalhar em uma construtora há cerca de cinco anos.
O dinheiro do INSS é utilizado para manter a casa, localizada no Conjunto Cafezal I (zona sul), onde vive com a esposa e a filha Márcia. Barreto lembrou que já contou com a ajuda da igreja e de amigos para conseguir alimentar a família. ''É triste chegar nessa situação, mas não tenho como pagar essa dívida'', concluiu.

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