Idosos conseguem impedir leilão de casas
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quarta-feira, 02 de julho de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Os sentimentos de compaixão e indignação de uma empresária e de um casal impediu que a casa de dois idosos fossem leiloadas por falta de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O pioneiro londrinense Walter Bassetti Lirola, 75 anos, e o deficiente visual Francisco Barreto, 63 anos, tiveram suas dívidas com o município, no valor de R$ 217,90 e R$ 873,44, respectivamente, quitadas e não correm mais o risco de perder seus imóveis. Tanto a empresária como o casal ficaram sensibilizados após tomarem conhecimento da dívida através de reportagem veiculada na Folha de Londrina, no início de junho.
Como as duas dívidas se arrastavam desde a década de 90, a procuradoria jurídica do município ingressou com ações de execução fiscal, solicitando a penhora dos imóveis. Os idosos tinham até o último dia 30 para efetuar o pagamento da dívida. Se isso não ocorresse, as casas iriam a leilão.
Walter Lirola disse que ficou muito feliz quando foi comunicado de que não precisava mais se preocupar com a possibilidade da pequena casa de 60 metros quadrados, composta por dois quartos, sala, cozinha e banheiro, localizada no Jardim Paraíso (zona norte).
O pioneiro disse que a esposa, Odete, com quem é casado há 53 anos, vinha lhe cobrando uma solução para o problema. Lirola adiantou que está ingressando com uma ação na Justiça na tentativa de reaver o dinheiro que estava na poupança e foi confiscado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello. ''Espero um dia poder devolver o dinheiro a essa pessoa ou ajudar uma outra que também estiver necessitada'', ressaltou.
Francisco Barreto também demonstrou muita alegria ao saber que não tinha mais perigo de perder a casa onde reside com a família, no Conjunto Cafezal (zona sul). No caso dele, além de pagar a dívida de R$ 873,44, referente ao período de 1996 a 1998, o casal pagou outros R$ 240,00, de pendências do mesmo imposto entre os anos de 1999 e 2001. ''Que Deus abençõe esse casal'', pediu o deficiente.
A empresária do ramo imobiliário, que pediu para não ser identificada, explicou que o drama vivido pelo pioneiro e sua esposa lhe chamou atenção. Foi então que decidiu tomar uma atitude que impedisse o leilão. ''Onde eles iriam morar se perdessem a casa?'', questionou.
Sobre o pagamento integral da dívida, o casal observou que de nada adiantaria pagar apenas uma parte, porque poderia impedir o leilão agora, mas o problema persistiria.
Guilherme Masironi Neto, da Pastoral Familiar da Igreja Católica, que acompanhou o drama das duas famílias, ingressou com um pedido junto à secretaria municipal da Fazenda para que todos idosos que estejam na mesma situação de Lirola e Barreto tenham suas dívidas perdoadas.


