Já dizia o poeta, ter bondade é ter coragem. Pois os alunos do curso de ótica do Centro de Educação Profissional Filadélfia deram um novo sentido à palavra educação na última sexta-feira: solidariedade. Eles entregaram dez pares de óculos para idosos carentes, assistidos pelo Lar das Vovozinhas, no bairro Vila Nova, Região Central de Londrina.
A ação solidária, explicou a pedagoga Tatiana Haag Rezende Menan, diretora do Centro, faz parte do programa de estágio da instituição educacional, que prevê 120 horas de prática supervisionada. ''A proposta é realizar um estágio real, unindo educação e promoção social.''
O centro profissionalizante tem unidades em Londrina, Curitiba, Pato Branco e também nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Além do curso de ótica, que tem duração de 28 meses, são oferecidas aulas de optometria e podologia. Ao final deste ano, se formam as primeiras turmas da unidade londrinense.
Segundo Tatiana, a maior parte dos alunos do curso é dona ou trabalha em óticas da cidade, como o formando Alexandre Anami. Proprietário, há quase 20 anos, de uma ótica no Centro, ele contou que só agora teve a oportunidade de estudar. ''Antes não tinha esse curso em Londrina e como a carga horária é muito extensa, não tinha como me deslocar'', declarou.
Em parceria com os 18 colegas de classe, ele participou da confecção dos óculos que foram entregues não só no Lar das Vovozinhas, mas também em outras oito entidades assistenciais de Londrina, entre elas o Hospital do Câncer, a Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil) e a pessoas carentes assistidas por igrejas católicas e evangélicas. As armações e as lentes foram doadas pelos alunos e por dois laboratórios londrinenses.
''É um projeto bacana. Além de ajudar quem precisa, tomamos contato com a realidade da profissão'', opinou Anami, ressaltando que pôde aprimorar seus conhecimentos óticos no curso, além de aprender novas técnicas.
No total foram entregues 138 óculos, 63 em setembro e 75 este mês. Para os idosos beneficiados foram distribuidos óculos bifocais e multifocais. ''Muitos deixaram de receber porque estão com catarata, um problema que os óculos não resolvem'', revelou Tatiana Menan.
No Lar das Vovozinhas, dez senhoras e outros dez idosos foram atendidos, mas metade deles não recebeu os óculos em decorrência de catarata e até glaucoma.
Salvador Edgar Valin, 62 anos, foi um dos contemplados e estava contente com os novos óculos. ''Essa iniciativa é bacana, eles são bastante educados'', afirmou o aposentado, que trabalhou a vida toda como motorista. ''Eu usava óculos de descanso para dirigir, mas hoje o problema é a vista cansada'', disse.
Aos 14 anos, Adir Boenio de Oliveira teve de operar a catarata e precisou usar óculos até os 19. Nos últimos seis anos, começou a sentir dificuldades para enxergar de perto e de longe. ''Fiquei feliz da vida mesmo com esses óculos'', comemorou o aposentado, que agora já consegue ver as horas ''nos relógios de pulso e de parede''.

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