Antenor Tomazi, 72 anos, está aposentado há 20 e hoje mora com uma filha solteira, que trabalha fora. Ele divide os custos da casa e nos dias de semana ainda assume os serviços caseiros de lavar e passar roupa, fazer comida e limpar a casa. Tomazi é um exemplo típico do novo perfil que vem sendo assumido pelos idosos. Ao contrário dos inativos de antigamente, que preferiam passar a velhice de roupão e chinelos dentro de casa, cada vez mais os aposentados buscam novas formas de vida.
Com este enfoque, idosos moradores de diversos bairros de Curitiba passaram o dia, ontem, na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, em Curitiba, em atividades de comemoração ao Dia dos Avós. ‘‘Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, os avós vêm assumindo cada vez mais importância dentro da família, pois são eles que cuidam dos netos e ajudam os filhos a cuidar da casa. Assim eles se sentem úteis e não um estorvo para a família’’, afirmou a geriatra Ivete Berkembrock, que trabalha na unidade. Apesar disso, é comum os idosos reclamarem que se sentem isolados, mesmo estando com a família.
Não é este o caso de Eolita Kim, 65 anos, que ‘‘mora só com Deus’’, mas recebe diariamente telefonemas e visitas dos cinco filhos e nove netos. ‘‘Mas graças a Deus, cada um tem a sua vida’’, diz ela, que vive com uma pensão de R$ 800,00.
O crescimento da população idosa, entretanto, é motivo de preocupação para o governo estadual. Dos 9,5 milhões de habitantes no Estado, 765 mil (correspondente a 8%) têm mais de 60 anos de idade. E a expectativa é que em 2020 a chamada terceira idade chegue a 13% da população, somando 1,5 milhão de pessoas. Para o presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Idoso, Nélson Guerchon, para fazer frente a esta situação é preciso estabelecer desde já uma política de inserção do idoso na sociedade.

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