Londrina - A aposentada Anita Rosa da Silva, de 94 anos, passou quase uma década longe da beterraba por ouvir dizer que o alimento faz mal para diabéticos, por ser rica em açúcar. Depois de descobrir que a restrição não passava de um mito popular, durante a palestra da nutricionista da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Ana Flávia Oliveira, na tarde de ontem, Anita garantiu que a cor avermelhada característica da raiz tuberosa deve retornar às suas saladas.
Dona Anita e outros 30 idosos puderam tirar dúvidas sobre nutrição e diabetes no Centro de Convivência da Pessoa Idosa Miguel Quesada, no Jardim da Luz (zona leste de Londrina). Com linguagem didática, comparando a insulina a um caminhão que transporta o açúcar para dentro da célula, Ana Flávia conquistou a atenção do público, que perguntava a todo o momento. "O objetivo é orientar sobre a doença, pois o conhecimento é o primeiro passo para a pessoa se cuidar", salientou.
No caso dos idosos, a nutricionista disse que toda a vida de alimentação desregrada não pode ser revertida, mas o cuidado para baixar as taxas de glicemia, sim. "O diabetes não tira férias, não descansa sábado e domingo, então o cuidado deve ser frequente", alertou. Segundo ela, o cuidado para o doente crônico vai muito além do corte de açúcar. "Muita gente usa adoçante, mas abusa do arroz, macarrão, pizza. Puro açúcar", advertiu.
Como alternativa para os tradicionais quitutes açucarados, a nutricionista passou duas receitas de bolos de maçã e outro de banana. Ambas levavam adoçantes e farinhas integrais. Atenta, Benedita de Faria Coutinho, de 66 anos, copiava tudo no caderninho. "Não tenho diabetes, mas esse cuidado da saúde é fundamental para todas as pessoas."
Em seguida, a nutricionista também destacou que a educação alimentar tem de ser de toda a família. "Não adianta o pai e a mãe usar o adoçante, comer frutas, evitar gorduras e o filho se empanturrar com tudo isso. Ele tem predisposição genética para a doença e deve se cuidar desde cedo."
O servidor municipal aposentado José Arcílio de Castro Macedo, de 70 anos, admitiu que precisou sofrer na pele para se cuidar. "A boa alimentação aliada ao exercício físico é fundamental para se ter qualidade de vida. Do contrário, vamos morrendo lentamente", disse, ao mostrar no peito a cicatriz de uma cirurgia de três safenas e uma mamária. Dos 30 participantes, apenas três eram homens.
A palestra fez parte da programação do Mês do Idoso, mas seguem até o fim do ano. No dia 5 de novembro, o tema será Alimentação e Hipertensão Arterial. Já no dia 3 de dezembro, Alimentação e Dislipidemia (colesterol e triglicérides). Os interessados em participar devem ter 60 anos ou mais, e entrar em contato com o Centro de Convivência da Pessoa Idosa da Zona Leste, na Rua Gabriel Matokanovic, 260, Jardim da Luz, ou pelo telefone (43) 3337-8826.

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