Com o aumento da expectativa e da qualidade de vida dos brasileiros, a presença de idosos em todos os setores da sociedade tende a se acentuar cada vez mais. E no trânsito não é diferente.
De acordo com um levantamento do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná divulgado recentemente, 219.439 homens e mulheres com mais de 65 anos dirigem hoje no Estado, representando a parcela de 4,7% do total de 4,5 milhões de condutores parananenses.
E a tendência, segundo o órgão, é que esse percentual aumente nos próximos anos, considerando que não existe uma idade limite que obrigue o motorista a parar de dirigir, desde que a carteira de habilitação seja renovada e que a pessoa apresente, satisfatoriamente, as habilidades necessárias para conduzir o veículo.
''Tenho 54 anos de carteira e pretendo dirigir até quando conseguir, mas a profissão eu quero tocar por mais uns dois anos'', diz o paulista Silvio Toffolo, de 78 anos, taxista em Londrina há quatro décadas. Durante todo esse tempo, Toffolo se orgulha de nunca ter provocado um acidente e diz pela própria experiência que ''não existe segredo. Basta ter muito cuidado, respeitando a sinalização e não correr muito''.
Ao comparar os dias atuais com a época em que muitas vias de Londrina eram de paralelepípedo, o taxista reclama do aumento significativo de veículos e da falta de vagas para estacionar. ''Essa cidade cresceu muito'', comenta ele, que costumava viajar frequentemente para Maringá e Arapongas. ''Nos tempos em que o café era a riqueza da nossa região, nós éramos pagos para pegar amostras do grão em cidades vizinhas. Além disso, fazíamos serviços de banco, sendo responsáveis inclusive pela cobrança. Hoje não, é mais corrida dentro da cidade e com propósito pessoal'', observa.
Outro dado revelado pelo Detran é que a maioria dos motoristas idosos (123.256 pessoas) tem habilitação na categoria B, para automóveis de passeio, cerca de 39 mil dirigem na categoria C, de caminhão, e 25 mil conduzem ônibus.
Na boleia do caminhão há 34 anos, Natalino Henriques, de 69 anos, tem na ponta da língua o aprendizado adquirido em milhares de quilômetros percorridos por todo o Brasil. ''O caminhão e a estrada exigem muito mais do motorista. Tem que ser mais cuidadoso em todos os sentidos. Não se pode usar drogas e nem bebida. Além disso, é fundamental priorizar o descanso em longas viagens'', diz.
Por ano, Natalino percorre cerca de 60 mil quilômetros transportando insumos agrícolas. Por ser uma carga perigosa, o motorista precisa realizar testes semestrais. ''Faço exame de vista, do coração e teste psicológico'', comenta ele, que aprecia o lado bom da profissão. ''A gente acaba conhecendo o Brasil inteiro. Já a parte ruim são as condições dos postos de parada. Se quisermos um banheiro limpo, temos que pagar'', desabafa.
A família já cobra a aposentadoria de Natalino há muito tempo, mas ele quer seguir em frente até ano que vem. ''Sei que está chegando meu momento de parar, pois hoje rodar pelas estradas está muito mais perigoso pelo excesso de veículos e, consequentemente, de motoristas imprudentes. As pessoas costumam contar com a sorte. Eu não, sempre digo que quem faz a sorte somos nós mesmos'', ressalta.

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